Egito – parte 2

Após nosso passeio nas pirâmides, tínhamos planejado para a tarde uma visita ao Museu do Cairo e conhecer um pouco do centro da cidade.

Como o taxista havia sido gente boa (por enquanto!), agendamos o passeio da tarde com ele para as 14 horas. Por um preço camarada combinado anteriormente ( 40 libras egípcias), ele nos levou até lá.

Após comprarmos o bilhete para entrar no museu, descobrimos de que não era permitido entrar com câmera. A solução era deixar todos os objetos numa barraquinha guarda-objetos que fica logo na entrada. Depois das malandragens que havíamos vivenciado, como confiaríamos em deixar lá o registro de toda nossa viagem? Não havia opção. A Tati tinha bolso e conseguiu esconder a câmera deles. Nós não tivemos opção, deixamos lá.

Fachada do museu

Uma das dicas do carinha do hotel era pra ir ao museu à tarde, pois lá dentro teria ar condicionado. Disse bem, te-ri-a. Não sei se estava quebrado ou se o ar não dava conta, lá dentro estava um forno.

Não sei se minhas expectativas eram altas demais, mas me decepcionei muito com o museu do Cairo. Pra mim, pareceu mais um barracão cheio de coisas empilhadas do que um museu em si. Poucas são as obras que possuem placas explicativas, não há sinalização suficiente, tudo empoeirado, um caos.

Achava que ia encontrar por lá explicações sobre a história egípcia, sobre as pirâmides… que nada! Decepção total!

É uma grande pena pensar que lá está grande parte do acervo de história egípcia do mundo e está tudo largado.Aprendi muito mais sobre o Egito no Louvre do que ali :(.

Além de ser quente demais lá dentro, se precisar ir ao banheiro prepare-se para ser abordado por moças e rapazes que ficam pedindo dinheiro por te entregar um pedaço de papel. Um saco e um abuso, visto que você paga um ingresso bem carinho pra entrar lá!

Já que todos nós nos decepcionamos, ficamos o mínimo possível lá dentro e vazamos. Na saída, compramos uma água muitooo gelada pra poder repor todo o suor que tivemos lá dentro.

Nossa próxima parada após sairmos do museu era ver o tão famoso rio Nilo e se não fosse tão caro, faríamos um passeio de barco.

Até chegar ao Nilo, não tem como não se impressionar mais uma vez com o trânsito… loucura, loucura!

Existe uma parte que é cheia de barquinhos e as pessoas te abordam muito na rua oferecendo o passeio. Como estávamos na terra da barganha, conseguimos fechar o passeio de 1 hora por 80 libras egípcias – cerca de 21 reais que divididos por 4 daria 5 reais e pouquinho…. resolvemos arriscar!

Subimos no barco à vela e lá fomos nós passear pelo rio por onde foram carregadas as pedras das pirâmides.

O nosso barqueiro falava inglês razoavelmente e durante o passeio foi nos contando vários fatos sobre o Nilo.

Fomos curtindo a paisagem e tirando muitas e muitas fotos. Não resisti e coloquei a mão na água… bem quentinha. Nadar ali deve ser uma delícia.

O barqueiro nos disse que era pra colocar os pés na água do Nilo e fazer um pedido, que com certeza se realizaria. Pra não dar sopa pro azar, é claro que colocamos!

E não é que o pedido se realizou?

Tudo ocorreu bem em nosso passeio, a única coisa chata foi o barqueiro nos pedir mais dinheiro pra gente quando estávamos quase desembarcando. Que saco! Demos 35 libras egípcias (cerca de 9 reais) e pronto! Tchau!

Outro lugar que queríamos ir era a Cairo Tower. Lá do desembarque do barco, já avistávamos ela e assim seguimos caminhando até encontrá-la. No caminho, mais algumas fotos….

Andamos algumas quadras e chegamos à Cairo Tower .Compramos os ingressos e aguardamos a fila para subirmos.

A vista lá de cima é bem bacana. Vale a pena!

Já estava anoitecendo e portanto era hora de voltar para o mundo normal – entenda-se hotel. Negociamos com um taxista ali na frente e fomos.

Tínhamos combinado de jantarmos no terraço do hotel naquela noite. Nada mal ficar lá ao ar livre ,com música ao vivo e com vista para as pirâmides.

Segundo dia no Cairo:

Para o dia seguinte, tínhamos agendado com o mesmo taxista para nos pegar às 09 horas pois gostaríamos de ir à Cidadela, ao mercado Kahn El Khalili, e mais algumas atrações no centro do Cairo. Antes de  sair, o Loedi foi sacar dinheiro num caixa automático na esquina do hotel. E não é que a ATM engoliu o cartão? Arghhhhhhh… Sorte que tínhamos o meu de reserva, mas o estresse foi horrível.

O taxista estava irritado que tínhamos nos atrasado… já não parecia ser o cara bacana do dia anterior. Como de costume, perguntamos ao entrar no táxi quanto custaria o passeio e a resposta dele foi: ” Don’t worry!”  Os 4 dentro do carro disseram juntos a seguinte frase: ” Fo-deu!” rsrsrs. Depois de sermos trapaceados no dia anterior, sabíamos que com a fala do motorista iríamos nos dar mal mais uma vez em terras egípcias :(.

O primeiro lugar que o motorista nos levou foi ao Coptic, que é um lugar cheio de igrejinhas, com caminhos sinistros para alcançá-las.  Ao descermos do táxi, o Luciano foi tentar ver quanto sairia o passeio e assim tivemos certeza de que o cara não era nem um pouco gente boa. Neste dia, ele tentou nos enfiar a faca. Queria cobrar 250 libras egípcias pelo passeio, 6 x mais do que tinha cobrado no dia anterior. Com muita negociação, saiu por 180 libras egípcias, que mesmo assim achamos facada. Filho da mãe!

Saindo deste primeiro lugar, fomos para a Cidadela que é um complexo murado que tem museus, terraços com belas vistas da cidade e a impotente mesquita de Mohamed Ali.

O Cairo é assim: totalmente sem cor

Ao contrário das mesquitas que havíamos visitado anteriormente, a de Mohamed Ali não fedia chulé….

Gostamos muito de ter visitado a Cidadela, mesmo com a enorme quantidade de vendedores enchendo os pacovás querendo que você compre alguma coisa.

No horário combinado, encontramos com o taxista e seguimos rumo ao Mercado Kahn el Khalili, um dos maiores mercados à céu aberto do mundo.

Imagine uma rua cheia de lojas de temperos, bugigangas, roupas, jóias, ouro, papiros, enfim… um super mercadão.

Logo numa das primeiras lojas que entramos para comprar algumas lembrancinhas, encontramos o José – um jovem estudante de língua espanhola na universidade que falava várias palavras em português. Aproveitando a simpatia do moço e a facilidade da língua, compramos várias coisas ali. E é óbvio, com muita barganha!

Compras satisfeitas, continuamos andando pelo mercado e observando a muvuca…. é um lugar onde se vê de tudo!

Por que será que a mulher tá me olhando?

Já tinha passado da hora do almoço e ainda não tínhamos comido nada. Pegamos um super táxi e fomos atrás de um fast food.

Super táxi

Almoçamos e demos vários rolês pelo centro do Cairo, observando as lojas, o jeito do povo. No meio da tarde, resolvemos voltar para o hotel e curtir a piscina, pois o calor continuava acima dos 45 graus.

Chegando no hotel, eu e o Loedi percebemos que nosso cofre estava aberto. Argh!!!!!!!!! Só faltava terem levado todo nosso dinheiro, e nós sem um dos cartões VTM (engolido pela máquina de manhã) que também tinha bastante dinheiro. Seria o caos!

Morrendo de medo olhamos e descobrimos que haviam sido roubados 100 dólares e 50 euros… um puta preju para a viagem!!!!  Nesse momento de estresse, um começou a colocar a culpa no outro e rolou briga. Comecei a chorar e pensar.. maldita hora que quis vir pra esse fim de mundo!!! Felizmente, voltei à racionalidade e pensei que não iria perder o resto de nossas férias por causa de menos de 300 reais. Mas a raiva que senti foi intensa! Como pode alguém pegar algo que não é seu??? Ainda mais ali, que são tão radicais com religião e essas coisas. Até hoje não temos certeza se deixamos o cofre aberto, se arrombaram, se descobriram a senha. O que nos consolou foi que não levaram meu netbook, o celular do Loedi e nem o resto do dinheiro.

Depois de mais um desapontamento na viagem, nada restava além de curtir a piscina do hotel e tentar esquecer essas coisas chatas.

Água bem quente na piscina

Assim foi nosso final de dia no hotel. Chegava-se a hora de arrumar as malas e seguir rumo à Grécia. Confesso que depois de tanta pilantragem em solo egípcio, me sentia aliviada de pensar que nosso próximo destino contaria com a civilidade europeia.

Antes de partir para a Grécia, refletimos muito sobre como o Egito ficaria em nossas memórias… De que ali o bagulho seria doido, já sabíamos; mas não esperávamos que tivesse sido tão doido.

O Egito choca pela pobreza, pela sujeira e pelo caos das ruas. Como passamos a dizer, Cairo é uma cidade cairótica. Nunca pensei que estaria num lugar onde a água é mais cara que a gasolina. Num lugar onde as casas não são pintadas para evitar pagamento de impostos. Num lugar cheio de areia e que não é deserto….

Por outro lado, intriga por tudo que representa na história das civilizações e também pelas dúvidas que ainda temos sobre a construção da pirâmides. Pelo respeito e devoção que têm à religião. Pela forma como veêm e cantam as mulheres ocidentais.

Digo que ir ao Egito foi divisor de águas em nossas viagens pois foi a partir dali que percebemos o quanto é legal vivenciar algo totalmente diferente do que vemos em nosso cotidiano. Minha mente voltou de lá muito mais aberta e com certeza quero que alguns de nossos próximos destinos de viagem sejam tão exóticos quanto.

Foi a primeira vez que pensei: nossa, nisso o Brasil é bem melhor! Nas viagens anteriores, o pensamento era inverso.

Quando contamos todas as roubadas que passamos no Egito, muita gente pensa que não gostamos de lá. Muito pelo contrário: gostamos muito de ter vivido esta experiência. Contamos os perrengues apenas para alertar quem pretende ir para lá e se for pra levar golpe, que sejam outros.. rs

Se eu voltaria ao Egito? Claaaaaaaaaro. Lembre-se que fomos somente para o Cairo. O Egito tem muito mais a oferecer!

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10 Comentários

Arquivado em África, Egito

10 Respostas para “Egito – parte 2

  1. Flavia

    Menina! descobri que tenho que fazer mais alguns estágios aqui pela America do sul antes de ir pro Egito, vixiiiiii!!! e eu que achava que quem tinha ido pra Bolivia e para o Peru encarava qualquer coisa!!! to revendo meus conceitos!!!!
    Apesar de tudo adorei seu relato… realmente viagens assim mudam nossa forma de ver certas coisas. Se vc ficasse lá um mês escreveria um livro heim!!!

  2. Carol

    Oi, Thais, eu de novo….Vc ficou 2 dias no Cairo, foi isso? Vc acha que é o suficiente ou 3 dias inteiros seriam melhores?
    Ah, estou escrevendo meu blog e já citei seu nome lá, mas como comecei agora, ainda só escreve sobre a penúltima viagem, que foi o Chile. Acesse lá. Aos poucos vou adicionando novos posts. É http://www.viciosdeviagem.blogspot.com. Beijos

  3. Helena

    Ola Thais
    Que belo texto. Voce escreve bem e de forma correta. Foi honesta porém descontraída e bem humorada e me deu uma ideia do que vou ”enfrentar” nas minhas férias no Egito em setembro deste ano. Vc disse que foi só ao Cairo e meu roteiro é um pouco maior, incluindo um cruzeiro de alguns dias pelo Nilo. Mas agora me questiono se viajar 15 dias não será um pouco demais. Este é o pacote que comprei, portanto mesmo eu sendo do tipo que foge dos pacotes e roteiros fechados, desta vez não tive muita escapatoria. Enfim agradeço pelas dicas e vou compartilhar seu blog com as pessoas que irão viajar comigo.
    Helena

    • Olá Helena! Muito obrigada por seu comentário! Acredito que como seu roteiro será maior, poderá aproveitar muito mais o que o Egito tem para oferecer Pacote acaba sendo uma boa opção para este destino, pois com certeza você irá evitar alguns perrengues como os nossos. Aproveite muito sua viagem e prepare-se para o super calor de lá. Boa viagem e apareça mais vezes por aqui!

  4. Vocês procuraram o hotel para questionar o furto ou simplesmente absorveram o prejuízo e seguiram a vida? E o hotel (se tiverem procurado), disse algo ou tomou alguma providência?

  5. Marcela

    Oi Thaís! Acho que deve ter havido alguma melhoria no museu. Estive lá agora em fevereiro/13 e achei até bastante limpo e organizado. Ok, falta muiiiita identificação nas peças, e plaquinhas explicativas simplesmente não existem! Por isso recomendo fortemente uma visita guiada, com alguém que realmente domine a história do Egito. Ficamos lá uma manhã inteira e não conseguimos ver tudo. Achei o museu fascinante! E vale super a pena entrar nas salas das múmias!
    Outra dica que eu daria é ir no inverno…menos turistas e temperaturas muito mais agradáveis.
    Deixo aqui o contato do nosso guia, muito culto e inteligente, formado em línguas latinas (fala português):
    Sheriff El Naggar
    aburegila2002@yahoo.com
    Beijos!

  6. Marcelo

    Parabens ao seu blog Thais. Estou chegando no Egito ( Cairo) no dia 20 de abril/2103 para ficar 2 dias e meio, aproveitando viagem de trabalho que vou ate Dubai.
    Voce acha melhor contratar algum guia local por pelo menos 1 dia indo para as piramides e o museu no Egito ou fazer o passeio por conta mesmo, oque recomenda 1 dia ou 2 dias com guia?
    Obrigado,
    Marcelo

    • Olá, Marcelo! Recebi um relato aqui no blog de que visitar o Cairo com guia é garantia de menos estresse e desde então esta tem sido a minha recomendação para evitar perrengues como o que passei por lá. Acredito que 2 dias é a melhor opção pois terá mais calma e poderá conhecer os demais pontos turísticos da cidade. Tenha uma excelente viagem!

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