Peru – parte 2: Machu Picchu

Agendamos com o hotel (mais uma vez, argh) o táxi para nos levar à estação de trem Poroy, por 50 soles (cerca de 25 reais) e foi no caminho, conversando com o taxista, que descobrimos que o cara do hotel superfaturava as corridas. Ainda bem que foi a última vez que caímos no golpe e acertamos com o senhor Santos – o taxista- a corrida de volta por 20 soles.

Chegamos na estação às 6 horas e o frio estava de lascar… Aproveitamos para tomar um café quente antes de embarcarmos.

A estação Poroy é ajeitadinha e bem pronta pro turismo, reforçando nosso pensamento de que os peruanos realmente valorizam esta atividade.

Aguardamos um tempo e chegou a hora de nosso embarque… e lá fora, a surpresa com a vista da estação.

Como escrevi no post de planejamento, compramos o bilhete de ida com o trem Vistadome e lá fomos nós ver como era. A simpatia do pessoal da Perurail na recepção é algo a se destacar. Aliás, a experiência com a Perurail foi extremamente positiva…

A viagem já inicia com belas paisagens e durante todo o trajeto é possível se impressionar com as belezas naturais do trecho. Vimos lindos rios, montanhas nevadas, plantações diversas, pequenas casas rurais. A duração da viagem é de aproximadamente 3 horas e meia.

Nos principais trechos, há anúncios no trem com explicações em espanhol e inglês falando sobre as características do local.

No Vistadome, há serviço de bordo diferenciado. O cuidado com que eles arrumam as mesinhas no trem e a disposição do cardápio expressam o carinho com que os funcionários tratam os turistas. E já que era hora do café da manhã, aproveitamos para provar 2 coisas diferentes: a tuna (primeiro item do prato), que é a fruta do cacto e é bem gostosa e também o trigo (segundo item), que parece aquelas pipoquinhas doces que comemos aqui no Brasil. Minha mãe teve que comprar um pacotão para trazer, de tanto que gostou, rsrs.

Devido à minha ansiedade, a viagem foi super longa. Eu não via a hora de chegar logo e de repente ouço a mensagem : “Daqui a poucos minutos chegaremos em Águas Calientes, o início de sua jornada para Machu Picchu. Agradecemos sua preferência e esperamos que seu dia seja inesquecível!”

Águas Calientes é uma pequena vila que serve de ponto de partida para MP. Logo que você sai da estação já se depara com uma feirinha de artesanato. Passamos por ela e fomos procurar o lugar para a compra dos ingressos – Centro Cultural.

Os ingressos custam 126 soles (achei caro pra caramba!) e mais os ingressos do ônibus para chegar até as ruínas, que custa mais 15,50 dólares… Convertendo, você gasta cerca de 90 reais para ir à MP já estando em Águas Calientes.

Atenção: a partir de julho/2011, devido à recomendação da Unesco a quantidade de visitantes à Machu Picchu foi reduzida e agora só é possível comprar ingresso pela internet.

A cidadezinha é bem acolhedora, no meio das montanhas e com menos altitude que Cuzco. O friozão já tinha dado uma trégua e pudemos tirar algumas blusas.

O caminho até MP é bem sinuoso e a estradinha sinistra, mas leva no máximo meia hora. Ao chegarmos, fomos procurar um lugar para deixarmos os casacos pois a temperatura tinha aumentado bastante. Conosco estava a Cristina, uma brasiliense muito simpática que estava viajando sozinha e que juntou-se a nós para o passeio.

Logo na entrada, um monte de guias começou a nos abordar para as explicações nas ruínas, mas nossa ideia era fazermos o passeio sem o profissional. Enquanto esperávamos a Cristina ir ao banheiro, um jovem guia se aproximou da gente e começou a conversar em inglês conosco para oferecer seus serviços. Nós tentamos de todo jeito despistá-lo, dizendo que estávamos pobres, que não poderíamos pagar um guia. Para nossa surpresa, ele disse que faria de graça, apenas para praticar o inglês, já que aquele era seu dia de folga. Eu e o Loedi achamos injusto, e nossa primeira resposta foi essa. Persistente, ele insistiu, insistiu e disse que MP seria apenas um monte de pedras caso resolvêssemos fazer sozinhos. Para tentarmos nos livrar de vez, oferecemos 100 soles pelo passeio para 4 pessoas e ponto final (os outros guias estavam cobrando 50 soles por pessoa). Ele chiou um pouco, mas topou no final. Sendo assim, entramos em MP com o guia Javier.

Logo no primeiro trecho de entrada, já é possível ver as lindas montanhas cobertas de vegetação. A vista é demais!

Por mais que a vista seja linda no caminho de entrada, nada se compara à emoção de se ver o Wayna Picchu logo à sua frente, ali, lindo e maravilhoso do jeito que você sempre viu nas fotos, na televisão, nos seus sonhos… Ver a montanha em plena harmonia com as ruínas é indescritível!

Sempre falo dos lugares que “não dá vontade de parar de tirar fotos”e o Huayna Picchu é um deles… não tem como não se encantar com a harmonia da paisagem. O que nos freiou um pouco foi o guia, que queria dar suas explicações e nossa atenção, e dessa forma sossegamos um pouco com a câmera.

Uma coisa que pensamos foi que ainda bem que pegamos um guia, pois não tivemos tempo nenhum antes da viagem para pesquisarmos sobre as ruínas e sem estas informações o lugar é somente um monte de pedras. Com a presença do Javier, aprendemos muito sobre o lugar. Ao ouvir as explicações, a única coisa que passava por minha cabeça era como os incas eram feras demais…. Como há milhares de anos atrás eles conseguiram desenvolver tanta coisa? Ficava cada vez mais surpresa com a inteligência desse povo. Não vou escrever aqui no blog sobre tudo o que o Javier falou e nem sobre a história de MP pois isso é bem fácil de achar por aí. O que quero descrever neste post são as emoções que senti estando na terra sagrada dos incas.

Eu não sou mística e nem acredito em nada que seja espiritual ou coisas afins, mas senti em MP paz, tranquilidade, serenidade. As ruínas ficam ali, no meio das montanhas, e com o rio láaaaa embaixo, o que proporciona um sentimento de estar num lugar extremamente calmo e acolhedor. A cada pedra que você olha, a cada história que se ouve, um sentimento diferente surge: surpresa, admiração, respeito…. São muitas as sensações vividas por lá.

A pergunta que eu mais me fazia era como os incas foram chegar naquele lugar para construir a cidade… Como? Como? Como? rsrsrs.

Na visita guiada, andamos pelos principais pontos das ruínas e após 1 hora com o Javier, estávamos liberados para tirar todas as fotos que queríamos sem levar xixizada dele…

Javier, o guia

Paramos apenas para fazer um lanchinho e em seguida fomos para a maratona de fotos.

Ficamos cerca de 2 horas e meia contemplando a beleza e história das ruínas de MP, tempo suficiente para ver o quanto o lugar é lindo e único. Não é à toa que é um dos patrimônios da humanidade…

Encantados, pegamos a trilha para voltarmos à entrada do parque onde tínhamos mais uma missão: pegar o carimbo de Machu Picchu em nosso passaporte.

Depois dos momentos mágicos na terra sagrada dos incas, pensei na frase que ouvi no trem logo na chegada e com certeza tive uma experiência inesquecível como eles haviam dito. Mesmo já tendo passado por muitos lugares lindos, Machu Picchu foi diferente….não sei descrever o porquê.

Com esse pensamento, pegamos o ônibus para voltarmos para Águas Calientes, onde demos umas voltas, comemos e pegamos o trem de volta para Cuzco.Nossa volta foi no Expedition, a categoria mais simples da Perurail e a percepção que tivemos foi que é quase a mesma coisa do Vistadome. A única diferença é o serviço de bordo e o preço (é óbvio!), pois a estrutura do vagão é igualzinha. Tivemos a companhia de 2 americanos na viagem e foi muito agradável nosso bate-papo, o que fez passar rapidamente.

Chegamos na estação Poroy às 20 e 30 e lá estava o senhor Santos nos aguardando. Lá pelas 21 horas estávamos no hotel prontos para descansar depois deste dia super puxado. Aproveitamos a sinceridade e simpatia do taxista e agendamos o passeio ao Vale Sagrado no dia seguinte com ele por 180 soles.

Muitos tinham dito que ir à Machu Picchu antes do Vale Sagrado era como comer a sobremesa antes do prato principal e era esse pensamento que estávamos na cabeça. Mas será que foi isso mesmo que achamos? Veja no próximo post como foi Ollantaytambo e Vale Sagrado 🙂

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Arquivado em América do Sul, Machu Picchu, Peru

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