De Viena à Budapeste

Chegamos no terminal de ônibus de Viena e ficamos chocados! Estávamos esperando por uma rodoviária nos padrões europeus, mas o que encontramos foi um terminal bem comparável às rodoviárias brasileiras. Estávamos com os bilhetes impressos mas pela movimentação que vimos, achamos que seria necessário check-in. Nada de informação, nada de conforto, nada de Europa por ali, rsrsrs. Fomos perguntar para alguns funcionários qual era o procedimento e nos disseram que o check-in abriria 40 minutos antes do embarque Ok, tínhamos ainda 2 horas de espera pela frente naquele lugar.

Ficamos ali tentando entender o porquê do terminal ser tão fora dos padrões e a única conclusão que chegamos é que somente os menos favorecidos optam por ônibus para viagens na Europa. Conclusão totalmente superficial baseada apenas na aparência das pessoas que estavam por ali. Mas, se pensarmos que pagamos apenas 19 euros pelo trecho até que faz sentido.

Não arrancou nenhum pedaço ficarmos ali, pois o preço realmente compensou. Faria de novo pois a economia é muito significativa quando se compara com trem ou avião. Veja no comparativo com as médias de preço que encontramos:

                                                   Ônibus – 3 horas de viagem – 19 euros

                                                   Trem – 2 horas e meia de viagem – 36 euros

                                                   Avião – 45 minutos de viagem – 190 euros

Ou seja, nem dá nada esperar na rodoviária, rsrsrs. Pelo menos estava bem quentinho dentro da sala de embarque e lá fora parecia estar uma geladeira. Pudemos confirmar quando fomos para a área externa embarcar. Que frio!

Colocamos as malas no bagageiro e entramos no ônibus que estava aquecido. Aliás, quente até demais. Durante a viagem tivemos que ir tirando as camadas de roupa que estávamos vestindo. A viagem foi super tranquila, estradas ótimas, retas e sem emoção. Além disso, wi-fi grátis torna a viagem muito mais agradável.

E por falar em quente e frio, nessa viagem caiu por terra a história de nossas mães e avós de que sair no frio depois do banho quente faz mal. Viajar para a Europa no inverno te expõe a estes contrastes a todo instante e nós não tivemos um resfriado se quer. História da carochinha….

Comecei a ver as primeiras placas indicando Budapeste e comecei a prestar a atenção na paisagem externa. Dava pra ver pouco, mas o suficiente para perceber que era bem diferente da Áustria. De igual, apenas o clima natalino e muitas luzes.

Quando nos aproximamos do terminal de Budapeste o motorista anunciou a temperatura de 2 graus e o indicador do ônibus mostrava que a temperatura interior era de 28 graus…. Hahaha, se minha mãe tivesse junto já ia falar do tal  “choque térmico”.

Colocamos todos os casacos e encaramos a saída. Mas nessas alturas já tinhamos acostumado com isso.

Chegamos em Budapeste 23 horas e o terminal estava vazio. A primeira coisa que fomos procurar foi um caixa automático, pois Budapeste tem moeda própria: o Hungarian Florin. Já tinha visto a conversão e era bem fácil. Para descobrir preços em reais, bastava dividir por 10. Sacamos um pouco de dinheiro e seguimos para a estação de metrô que era bem do ladinho. Mas ao chegarmos lá a surpresa: só dava pra comprar passes com moedas e não tinha nenhuma lojinha aberta para trocar o dinheiro pra gente.

Encontramos na mesma situação dois grupos de brasileiros que também não tinham trocados, mas não havia nada que pudéssemos fazer.

Tentamos sair da estação e procurar algo aberto na parte de cima, mas também não fomos bem sucedidos. A única solução seria pegar um táxi, mas quem disse que haviam táxis por ali ??

Nós não tínhamos noção de onde estávamos. Sabíamos apenas que o hotel não era tão longe dali. Resolvemos ficar parados na esquina e tentar parar algum táxi que estivesse passando pela rua e felizmente não demorou muito. Como não sabíamos quanto sairia o trajeto, perguntamos ao motorista se ele aceitava euros e a resposta foi positiva. Ufa!

O moço falava muito pouco de inglês, mas pelo menos tinha GPS. Chegamos sãos e salvos no hotel por 32 reais.

Ao chegarmos no hotel, uma agradável surpresa. Hotel novinho em folha, bonito, com atendentes super prestativos e internet grátis.

Deixamos nossas coisas no quarto e fomos jantar pois estávamos famintos. O recepcionista nos indicou o único restaurante que estaria aberto nessas horas, quase meia-noite. Sem ter opção, lá fomos nós.

O nome do restaurante era Stex e ficava a poucas quadras do hotel. Entramos e tentamos achar o espaço para não-fumantes, mas não existia. O local estava mais para bar do que para restaurante e cheirava muito cigarro, argh! Estamos bem acostumados no Brasil de não ser mais permitido fumar em locais fechados e lá na Hungria as coisas não são assim. Só ficamos porque não tinha opção mesmo.

Sentamos e pedimos o cardápio para o garçom. Quando ele nos trouxe, vimos que estava só em húngaro..kkkkkkkkkk. Não dá pra entender absolutamente NA-DA! Letras estranhas, mais consoantes que vogais, nenhuma semelhança com inglês.

Chamamos o moço novamente e pedimos o menu em inglês. Ele foi buscar e voltou dizendo que só tinha em alemão, hauhauahuahua. Nós ainda fomos ingênuos e pensamos: ah sim, em alemão sabemos algumas coisas…. Quem vê pensa! Olhamos o cardápio de cabo a rabo e a única coisa que conseguimos decifrar foi batata frita. E foi isso mesmo que pedimos.  Meia-noite e meia, nós famintos e comendo apenas batatas….. que perrengue!

Após nos deliciarmos com nosso sofisticado jantar, rsrsr, voltamos para o hotel. Ainda bem que nesse hotel o café-da-manhã estava incluso e poderíamos comer um monte quando amanhecesse.

Exaustos, fomos dormir pois as aventuras em terras húngaras estavam apenas começando!

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19 Comentários

Arquivado em Áustria, Europa, Viena

19 Respostas para “De Viena à Budapeste

  1. Cida

    Estou adorando seus comentários, planejo uma viagem em maio (Viena – Praga – Budapeste ) …. já estou anotando todas as dicas……

  2. Amigo, qual foi a empresa de onibus que voce utilizou no trecho vienna – budapeste? Abraços

  3. Mayra Boppre

    Oi Thaís, uma pergunta técnica, qual cidade você mais gostou?? Qual recomendaria?? Budapeste ou Viena? Obrigada.

    • Oi, Mayra! Perguntinha difícil, porque gostei das duas e são muito diferentes, mas vou tentar ajudar. Viena é mais cara de Europa clássica como Paris, um exemplo de organização e civilidade como a Alemanha, uma cidade que exala cultura e arte. Já Budapeste é uma Europa de “segunda classe”, mas que atrai justamente por causa disso. A arquitetura já é bem diferente, as misturas de culturas são mais visíveis, e a realidade da população também. Se você já conhece outras cidades européias, acho que vale mais a pena ir pra Budapeste para conhecer algo inédito. Se ainda não conhece, fique com Viena que será uma ótima primeira impressão da Europa.

      • Mayra Boppre

        Oi Thaís, nossa muito obrigada pelas informações!
        Então, já conheço Paris e Londres porque morei em Dublin, e nessa viagem de agora, Praga também está no roteiro.
        Diante desse background, você ainda acha Viena uma boa pedida? (Praga e Budapeste são mais parecidas?)
        Obrigada!

      • Oi Mayra! Praga e Budapeste são bem diferentes. Já Viena, na minha opinião, tem um ar parisiense.

  4. Edar da Silva Añaña - Pelotas(RS)

    Fizemos esta vigem há duas semanas e a experiência foi recompensadora. Nosso giro iniciou por Portugal e Espanha, e dali voamos para Berlin, onde alugamos carro para ser devolvido em Munique, após o giro que pretendíamos fazer pela República Tcheca, Eslováquia, Hungria e Áustria. Inicialmente pretendíamos deixa o carro em Bratislava e ir de ônibus ou de trem até Budapeste, e pegar o carro na volta, mas por questão de segurança optamos por deixá-lo em Viena e pegar ônibus a partir dali.
    Estávamos em dois casais e eu já conhecia Viena, mas mesmo assim não foi fácil encontrar a parada do ônibus (isso mesmo, uma parada), que durante o “verão” funciona próximo à estação do Pratersen (Nordbahnstrasse, 50), em frente a um hotel. No local existe apenas uma pequena placa e a OrangeWays (empresa dona do ônibus) sequer mantém escritório na cidade. O ônibus vem de Budapeste às 06:30hs (chega perto das 10:00hs) e retorna às 11:30hs; a passagem pode ser comprada por internet ou diretamente no ônibus, com o cobrador. Não conseguimos comprar a passagem por internet e ainda tivemos os cartões clonados, o que nos deu uma dor de cabeça desnecessária (só depois descobrimos que o ônibus tem 60 lugares e não chega a lotar). O ônibus é relativamente confortável, mas não tem banheiro, nem água, nem Wi-Fi, o que deixa bastante a desejar para uma viagem de três horas; durante a viagem faz uma parada de 15 minutos na fronteira, num paradouro bem aconchegante. A viagem é tranquila, a estrada é ótima e o pessoal bem atencioso. A passagem custa cerca de 14 Euros, menos da metade do preço do trem.
    A “Estação Internacional” de Budapeste é semelhante à de Viena: uma simples parada ao lado de uma estação do metrô, onde funciona o escritório da OrangeWays, que também não vende passagens. Da parada até o Centro gastamos uns 10 minutos de metrô. Como na Hungria a maioria das pessoas fala inglês não foi difícil achar o destino arrastando as malas.
    A volta também foi tranquila. Na chegada à “Estação” de Budapeste tomamos um susto grande: como a fila era enorme, imaginamos que não haveria lugar para todos nós no ônibus, mas depois descobrimos que parte dos passageiros destinava-se a Cracóvia (na Polônia) e outras cidades. Budapeste é imperdível e a viagem de ônibus têm ótima relação custo-benefício para que não é muito exigente. Recomendo.

  5. Sayonara

    Oi Thaís, vou perguntar uma sugestão que não sei se tem para me dar, porque vi que não foi a Bratislava… Mas, eu irei na mesma época que você, so que esse ano. Chego em Praga e depois quero ir a Viena e Budapeste, mas queria fazer um dia em Bratislava também. Queria uma sugestão de ida. Estou programando estar em Viena no Natal, porque me falaram que é lindo. Você acha que de Praga, o melhor seria pegar Viena e seguir para Budapeste ou o contrario?. Obrigada desde já, o post está muito legal.

    • Olá, Sayonara! Realmente não fui para Bratislava, mas vou dar me palpite baseando no que vi no mapa. Como a Bratislava fica mais perto de Viena (são apenas 80km), começando por Praga seguiria para Viena de de lá iria para a Bratislava (deve existir muitas opções por ser próximo). Não sei quantos dias pretende investir na Bratislava, mas se quiser só dar um pulo, acho que pode até valer a pena um bate e volta caso haja trem, por exemplo. O mais lógico é deixar pra Budapeste por último. Esse é meu pitaco, espero ter ajudado. Um abraço!

  6. Olá, pessoal. Por qual empresa vocês compraram a passagen viena-budapeste? Tentei pela Eurolines, mas sem sucesso. Abraços! 🙂

  7. celia

    Gostaria de ter vistos as fotos ….fica mais interessante…

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