Aracaju: parte 2 – Cânion de Xingó

Uma das coisas mais deliciosas do Nordeste é acordar cedo… Por mais que essa frase pareça estranha, para quem sofre TODOS os dias para sair da cama, é assim que me sinto quando estou por lá. Primeiro que às 6 horas da manhã o sol já está brilhando firme e forte lá fora, e outra que você sabe que seu dia será maravilhoso, então é melhor começar a aproveitar logo.

O café da manhã era servido a partir das 6 e 30 e às 6 e 29 já estávamos de plantão… rsrs Adoro café da manhã de hotel quando estou passeando, pois aí me permito comer de tudo. Quando viajo à trabalho, me mantenho na dieta.

O que mais aprecio em cafés da manhã nordestinos é o abacaxi…. Hummmm! Somente por lá que dá pra pegar a fruta tendo certeza absoluta de que estará docinho, docinho. Me acabo de comer! Outras coisas que gosto são os bolos típicos como o bolo Baeta (conhecido também como bolo de leite) e o bolo de milho que parece uma pamonha de tão molhadinho. Me dá fome só de pensar nessas coisas….

Alimentados, fomos para a frente do hotel aguardar a van da NozesTour que, segundo o recepcionista, nunca atrasa. Dito e feito, 7 e 10 chega a van para nos apanhar.

Até embarcarem todos os passageiros e nos acomodarem num novo e confortável ônibus leito, já era quase 8 e 30h e foi aí que seguimos rumo à Canindé de São Francisco, uma cidade no sertão sergipano onde se localizam os Cânions de Xingó.

De Aracaju até lá são aproximadamente 210 km, em estrada simples. Fizemos as contas para ver se compensava ir de carro e a resposta é que financeiramente não vale a pena. O passeio com a agência saiu por 230 reais para mim e para o Loedi, com o barco incluso. Se fossêmos de carro gastaríamos 110 reais (aluguel do carro) + 70 reais (combustível) + 100 reais (barco) = 280 reais, sem contar o estresse de dirigir mais de 400 km num dia e ainda encarando os malucos motoristas (vimos cada barbeiragem por lá que vocês nem imaginam….) É claro que de carro você tem muito mais liberdade, dá pra parar onde bem entender pra tirar fotos e outras vantagens. Nós, dessa vez, optamos por gastar e nos estressar menos.

Faltando 1 hora de relógio (como dizem os sergipanos) para chegar à Canindé, fizemos uma parada na Casa de Doces da Dona Nena, que fica bem na entrada do sertão e onde já se pode avistar a paisagem típica da região com vários maracatus, palmas e xique-xiques (nunca pensei que fosse usar essa palavra, hahaha). No estabelecimento são vendidas bebidas, salgados e claro, muitos tipos de doces.

Após 15 minutos, seguimos viagem até finalmente chegar à Canindé de São Francisco. Na entrada da cidade já existem placas indicando como se chegar ao lugar de onde partem os passeios ao Cânion.

Logo ali , vê-se o rio São Francisco pela primeira vez e um pouco mais à frente, a Hidrelétrica de Xingó, que nesse dia estava com as comportas abertas.

Mais alguns quilômetros e chegamos ao lugar da partida para o passeio por volta de 11:30h. Fomos informados pelo guia que nosso catamarã estava agendado para às 12 e 30 e que teríamos 1 hora para almoçar.

Eu tinha lido que o almoço lá no restaurantes Karrancas era ruim e por isso me preveni levando lanchinhos e petiscos para enganar a fome. Quem quiser almoçar por lá custa 30 reais por pessoa. O Karrancas era um restaurante flutuante, mas teve sua estrutura destruída num incêndio e por enquanto serve a comida debaixo de algumas tendas.

Antes de comermos, fomos dar umas voltas por ali para conhecer a estrutura. Fiquei surpresa com o local, que é extremamente organizado e preparado para a recepção de turistas. Uma boa surpresa no meio do sertão. Fiquei feliz e pensei que basta ter vontade para que o turismo prospere no Brasil.

Ali existem 2 prainhas, aluguel de jet ski, heliponto e várias cadeiras posicionadas em frente ao rio. Tudo muito ajeitado!

Aí sim resolvemos sentar na sombra e saborear nossos deliciosos sanduíches, rsrsr.

Mesmo tem sido um dos dias de maior movimento no local, conseguimos achar mesa facilmente e não presenciamos nada de tumulto. Parecia um dia normal, mesmo o guia tendo nos informado que só a Nozestour teria levado 400 pessoas para o passeio. O estacionamento estava bem cheio, e a organização presente só confirma que realmente o local é preparado para atender bastante gente. A amiga/leitora Cibeli aqui do blog, havia me recomendado o lugar e também paciência para enfrentar a multidão e eu, já tinha ido bem calminha, rsrs.

Rapidinho chegou nossa hora de embarcar e assim que vimos o catamarã chegando, fomos para a área de embarque. Cada embarcação transporta 250 pessoas por viagem. Naquele dia, foram 7 viagens cheias, sinal de que o destino está famoso…

Nada de confusão na hora do embarque, pois um dos tripulantes chama as pessoas de acordo com as reservas por ordem de chegada. Portanto, se você resolver ir por conta num dia de movimento, é melhor chegar cedo para garantir seu lugar.

Assim que nos chamaram, subimos no catamarã e fomos na parte coberta de cima, num lugar que nos protegesse do forte sol. Com todos os passageiros embarcados, a viagem começou com muitas informações sobre a história do local dada pelos membros da tripulação. Como complemento à beleza do rio e suas margens, a trilha sonora tipicamente nordestina completava o passeio.

E que trilha sonora! Escolhida perfeitamente para as característica da jornada. Um mix de MPB, forró, samba…. Muito legal ver as pessoas naturalmente dançando, se envolvendo no clima. Pensava a todo momento: que experiência bacana que estamos vivendo. Se você quiser, o CD com a trilha sonora é vendido como souvenir por 25 reais.

O passeio aos Cânions dura 3 horas, sendo: 1 hora navegando até chegar, 1 hora para banho e 1 hora para voltar. Nós nem sentimos a ida, de tão legal que é. No barco há serviço de bordo e por 3,50 você pode comer espetinhos e por 4 reais tomar uma cerveja Heineken. Quer vida melhor?

A primeira formação rochosa que se vê à beira do rio, é a Pedra do Gavião que se destaca no meio da caatinga.

Um pouco mais à frente, vimos a Pedra do Japão, que tem esse nome por se assemelhar às construções nipônicas.

Quando esses marcos são anunciados no som do catamarã, a maioria das pessoas segue para a frente do barco em busca de boas fotos. Uma dica é você fazer o contrário! Fique nos fundos e consiga melhores fotos e com menos gente em volta…

Quando estávamos nos aproximando do Cânion do Talhado, que é o destino final e onde há a parada para banho, a trilha sonora muda… Não vou contar qual música que toca para não estragar a surpresa 🙂 Só sei que torna a chegada mais emocionante… A beleza do lugar é única e a água é tão verdinha como vemos nas fotos…

Paisagem digna de se dizer: uau!!! uau!!! Muito lindo!!! Assim que chegamos, o barco atracou e aproveitamos para tirar mais umas fotos antes de desembarcarmos.

Minha única frustração do passeio foi em relação ao banho. Pensava que poderia nadar no rio mesmo, por onde quisesse, mesmo tendo a profundidade de mais de 100 m. Contudo, a área para banho é restrita e cercada por gradinhas, o que me decepcionou… Achei sem graça e optei por não nadar.

Para quem, como eu, não quiser se banhar, há uma área bem aconchegante com lojinha e cadeiras para descanso.

Também há a opção de se fazer um passeio de barquinho até à Gruta do Talhado, pagando-se 5 reais por pessoa. Nós fomos!

Ao voltarmos para o catamarã aproveitamos para matar a fominha da tarde com um espetinho. Começou a chover, mas em menos de 15 minutos o sol voltou a brilhar. O comandante anunciou que nosso tempo por ali havia se esgotado e que chegava a hora de voltarmos. Aproveitou também para fazer propaganda dos demais passeios oferecidos pela empresa, a MFTur, que merece vários parabéns pelo trabalho que realiza.

Após os 45 minutos, estávamos de volta e corremos para o ônibus. Ainda tínhamos 3 horas de viagem até Aracaju, mas isso nem importava. O passeio foi maravilhoso e valeu muito a pena.

Desde às 7 horas da manhã até às 9 da noite foram 14 horas em trânsito e apenas 4 no rio São Francisco, mas todo o cansaço foi recompensado. Tudo me surpreendeu por lá, uma excelente experiência no meio do sertão nordestino.

Para quem está planejando ir pra lá, lembre-se de levar comidinhas… Nós levamos um monte de coisas e mesmo assim na volta eu estava faminta e o ônibus não fez nenhuma parada.

Chegamos no hotel exaustos, porém muito felizes por termos conhecido mais uma das maravilhas deste Brasilsão lindo. E o melhor, sendo administrada por gente que entende do que faz! Saímos de lá tendo esperanças para o turismo no nosso país 🙂 Quem sabe um dia ?

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5 Comentários

Arquivado em Aracaju, Brasil, Nordeste do Brasil, Sergipe

5 Respostas para “Aracaju: parte 2 – Cânion de Xingó

  1. Silva Júnior

    Parabéns pelo belo texto. Moro em Canindé e gosto de saber que temos um excelente atrativo turístico, aliás, vários atrativos. Da próxima vez, conheça a trilha do Cangaço, onde está a Grota do Angico, local onde Lampião, Maria Bonita e os demais membros do bando foram emboscados e fuzilados pela volante alagoana; visite o Museu de Arqueologia de Xingó; desbrave a Fazenda Mundo Novo e conheça a Piranhas velha (AL), um conjunto arquitetônico tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional.

  2. Pingback: Passeio ao Xingó - 93ª Convenção Batista Brasileira

  3. Marcia

    Nossa Fiquei muito feliz de ler seu texto… Viajo dia 01 de novembro e estou muito anciosa pra conhecer todos esses lugares… Você ajudou muito… Felicidadesss…
    Obrigada…

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