1 ano da Camila: reflexões realistas sobre a maternidade

Poderia comemorar o primeiro ano da Camila da forma como a maioria das mães faz, dizendo que tudo foi lindo, que não se imaginam mais sem o filho e todo esse blábláblá. Mas se assim eu fizesse, além de estar sendo apenas mais uma a dizer isso, estaria em grande parte mentindo. Antes que me julguem, afirmo que amo muito minha filha. Porém, meus caros, me sinto na obrigação de compartilhar com vocês que a maternidade não é linda como nos contos de fadas, ou como a sociedade prega.
Sabe aquele amor incondicional, de que tanto se fala? Pois bem, não saí da maternidade com esse sentimento e confesso pra vocês que ele só foi aparecer com uns bons meses da Camila. Tá certo que tive depressão pós-parto e que precisei me tratar até ela completar 7 meses, mas creio que isso não tenha sido a única justificativa.
Digo pra vocês também que em vários momentos nesse primeiro sno, repeti várias vezes que me arrependia de ter tido filho, seja pelas vezes que tive que ficar horas esperando no hospital para ela ser atendida, ou em momentos de extremo cansaço onde o que eu mais desejava era deitar na frente da tv bem sossegada, ao invés de ficar correndo atrás dela pela casa. A minha sorte grande é ter um super marido, que nesse primeiro ano foi mais mãe que eu pra Camila, meu herói de verdade!

 Não sofri com coisas que costumam divulgar como corpo pós-parto (logo voltei à forma de antes), com a amamentação (me preparei com todos os truques que recomendam) e nem com muitas noites mal dormidas (com 50 dias a Camila já dormia a noite toda). Sofri foi com dores psicológicas, por não saber lidar bem com a situação completamente nova e assustadora.

E porque estou contando isso por aqui? Porque com certeza as viagens que já fizemos em família contribuíram muito para eu me curar de vez e ter certeza de que é possível uma vida feliz com um filho junto. As adaptações são necessárias, mas o resultado compensa. Ter ido pra Europa com a Camila aos 4 meses de idade foi uma das melhores decisões que podíamos ter tomado neste primeiro ano dela.

Enfim, ninguém nunca tinha me contado sobre esse lado sombrio da maternidade e fui descobrir na raça. Hoje estou aqui e posso relatar que sobrevivi ao primeiro ano. Ufa! Se tivessem me contado a verdade, acho que não teria mudado de ideia pois concordo com Vinícius de Moraes com a frase: “Filhos? Melhor não tê-los. Mas se não os temos, como sabê-lo? “. Tenho plantado minhas sementinhas contando a realidade para quem ainda não vivenciou, apenas com o intuito de dizer que nem sempre tudo é lindo como contam. E você tendo ideia do que pode vir a acontecer, pode ao menos tentar se preparar.

Claro que ver a evolução da Camilinha engatinhando, batendo palmas, andando e agora começando a falar é lindo, porém ainda o outro lado da balança pesa mais. Esses dias conversando com o Loedi ele disse tudo: esse primeiro ano foi mais difícil do que gostoso, mas quem sabe daqui pra frente essa balança se equilibra ou muda de rumo? Assim seja!

Aos trancos e barrancos, aproveito a data pra comemorar não só o primeiro aninho da fofucha, mas também para celebrar nosso primeiro ano como pais, os melhores que pudemos ser nesse período 🙂

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10 Comentários

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10 Respostas para “1 ano da Camila: reflexões realistas sobre a maternidade

  1. Catharina Maceno

    Parabéns pela coragem e verdade das suas palavras. Uma amiga que está gravida me disse outro dia que todos os livros e “manuais” de gravidez dizem q ela deveria estar se sentindo feliz, maravilhosa etc e etc. Só q ela ñ sentia nada disso , pelo contrario e se sentia “estranha” do tipo pq só eu ñ sinto isso , sou errada ou diferente ?
    Esse seu relato veio para ajudar essas pessoas a entenderem q são apenas humanas com virtudes e defeitos. Arrasou.
    Parabéns pra fofucha e pra familia. Dias melhores virão.
    abço

    • Obrigada, Catharina! Compartilhe com sua amiga que durante a gravidez também me senti assim e no final só piorou. Várias vezes eu pensava que podia demorar mais pra Camila nascer, porque não me sentia radiante como diziam. Um grande abraço 🙂

  2. Marcela

    Oi Thais!! Me dá certo alento ler esse tipo de post… Posts REAIS, que não floreiam e nem se importam com o julgamento alheio!! Pq né? Falar das dificuldades de quando se tem filho é tipo ~pecado~!

    Eu confesso que estou em uma fase beeem complicada… Estou casada há 5 anos e amo a nossa vida… Só nós dois! Viajamos muito mais que a média, amo ter esse tempo e dinheiro livre pra aproveitar dessa forma… E eu sempre quis ter filho… Tipo, quando ainda era um plano distante, sabe? Agora que é uma coisa mais “real” eu to levemente apavorada… Fico pensando se não tá cedo, se não tá tarde (faço 32 esse ano!), se não vou me “arrepender”, se não vou me frustrar de não poder fazer o que fazemos agora… Se vou me adaptar e vou pensar: “Meu deus, pq eu não tive filho antes?? Dá tudo certo! Meus medos eram infundados!” ou então “Gente, pq a gente resolver ter filho? A vida tava tão boa” hahahaha
    Somando-se a isso o fato de que criar filho nesse nosso país, nessa nossa sociedade não é fácil… A violência, a falta de tempo, custos elevados pra tudo…

    Eu sei que ninguém pode ajudar, que a decisão é nossa e que não tem como prever o que vai ser… Mas olha… É bem complicado viu!! Admiro quem não pensa muito, quem vai lá e engravida e vai que vai…

    Obrigada por se abrir, por deixar esse espaço pra falar sobre as coisas reais!! 🙂

    Beijos!

  3. Giovanna

    Oi Thais! Já faz algum tempo que acompanho seu blog, sou de Curitiba também e sempre acompanho as viagens de vocês por aqui. Além disso, sou psicóloga e o tema da maternidade me fascina muito. Achei muito interessante o que você disse, porque é basicamente um tabu. A sociedade impõe que as mães sejam sempre felizes, estejam sempre dispostas a fazer tudo pelo filho e sinceramente, eu acho que toda essa devoção nem sempre é saudável. Acho que uma das coisas mais “bizarras” da maternidade é ter que lidar com um bebê que é seu, saiu de dentro de você, é do seu sangue e no entanto, é uma pessoa completamente diferente.
    Freud falava da sensação de olhar para algo ou alguém e ter a sensação de estranheza, um incômodo. Para ele, essa sensação advinha do fato de que aquilo que é tão estranho pra gente também é muito familiar e inconscientemente faz parte de nós. Não sei se ficou claro, mas quando penso na depressão pós parto, penso nessa estranheza em olhar um bebê que é estranho a nós (até pq ele é outra pessoa), mas tão intimamente familiar.
    Ser mãe é ter que lidar com o fato de que somos filhas, é lembrar de que se estamos cuidando de alguém, é porque já fomos cuidadas também. São tantas coisas, né? Mas se eu posso falar com segurança de algo, é que a maternidade não se constitui só pelo amor. Se fosse só pelo amor, coitadas de nossas crianças, o amor seria tão forte que a gente não seria capaz de nos diferenciarmos dela. É pela via do ódio e da frustração que a gente permite que nossos bebês sigam seus próprios caminhos. É quando você quer dormir e a Camilinha quer ficar brincando que você sabe que ela é outra pessoa e tem suas próprias vontades. Acho que as pessoas não querem ouvir sobre essa ambivalência amor/ódio,porque é muito mais cômodo achar que a maternidade é um instinto, algo que “surge”, quando na verdade ela é uma construção, algo que se constitui e se reconstitui, dia a dia.
    Enfim, te admiro pela coragem em falar disso, muitas mães passam pelo mesmo e não encontram um espaço pra falar desses sentimentos, porque em geral a sociedade não costuma tolerar uma “falha materna” (ah, se eles soubessem que são essas falhas que nos constituem…). Parabéns pelo texto, pela filha linda e pela família linda que vocês formam.
    Abraços com carinho,
    Giovanna

    • Olá Giovanna! Muito bom seu relato e foi bem assim que me senti e às vezes ainda me sinto. Usando outra frase de Freud, que diz que a fala cura, por isso que me sinto melhor escrevendo e contando que pouco me importa o que vão pensar a meu respeito pois só quem passa pela situação sabe como é. Obrigada por deixar o comentário! Beijos

  4. Thaís, que relato sincero e comovente. Num tempo em que todos querem mostrar que tudo é belo e perfeito é reconfortante ler algo como o que você escreveu.
    Fiquei especialmente tocada no seu último comentário quando disse que “só quem passa pela situação sabe como é”.
    Eu também fiz essa constatação bem recentemente em meio a minha luta de 4 anos para conseguir engravidar. Escolhi me fechar e não mais compartilhar minhas dores pois assim como o seu “tema” depressão pós parto e dificuldades na maternidade, o meu também é considerado um grande tabu.
    Enfim… sua filha é linda e perfeita! E continue sendo a mãe maravilhosa que você é para ela. Bjs

  5. Jossie

    amei a sinceridade … Realmente nem td é flores no primeiro ano dos pequenos mas com ctza cada sorriso … Cada nova conquista deles é uma alegria que não cabe no nosso coração

  6. marysilva

    Só acho que quando agente e mãe e ama de verdade agente sente praser de cuidar ate nas horas mais difíceis, e amar o choro da criança e amar corre atras e amar as coisas errado que elas fazem pq elas são apenas crianças agente que e mãe que tem que insinalas tudo ser mãe não e só ter um filho, ser mãe e amar cuida de cada fase que seu filho irra passa….

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