Havana Real e Havana para os turistas: mas um dia vivendo as duas realidades

Quem acompanha meus relatos por aqui sabe que quando viajamos com a Camila, temos o hábito de levarmos itens básicos daqui do Brasil (arroz, macarrão, feijão Vapza, etc) e comprar itens perecíveis no local – carne, frango, frutas, legumes. Para Cuba, como mencionei em um post anterior, levamos uma quantidade exagerada de itens já pensando na escassez que encontraríamos, porém imaginávamos que pelo menos alguns itens frescos encontraríamos por lá. No dia anterior, havíamos perguntado para alguns locais onde encontraríamos uma quitanda ou algo do tipo e nos disseram que havia uma feira localizada a duas quadras de nosso prédio.

Após acordarmos fomos direto procurar esse local e quando chegamos vivemos mais uma experiência única de vida. Em minha cabeça havia a seguinte lista de compras: batata, melão, mamão, cenoura, beterraba e cenoura. Ao chegarmos na feira, começamos a perceber que os itens eram os mesmos em quase todas as barracas. Pouquíssima variedade, qualidade e apresentação dos produtos. Até aí, era só uma feira simples como algumas que já vimos Brasil afora. Nosso primeiro choque foi quando perguntamos onde encontraríamos batatas e um senhorzinho nos disse que esse era um produto que há muito tempo não havia na ilha. E cebolas? Também é algo raro de se encontrar. A saga das frutas também foi frustrada. A oferta era de bananas feias e só! Tivemos sorte de encontrar numa barraquinha escondida alguns pedaços de mamão. Para fazermos lanchinhos mais saudáveis para a Camila, acabamos comprando milho.

Na feira também tinha carne e frango, porém tudo exposto ao tempo naquele calor, sem qualquer refrigeração. Havia também um barracão vendendo queijos e embutidos rodeados de moscas e também sem nenhuma geladeira. Vimos uma placa sinalizando venda de ovos, mas quando perguntamos também nos disseram que há 4 dias não haviam recebido a mercadoria. Relembrando agora entendo porque não tirei tantas fotos… o choque foi tão grande que nem lembrei.

Voltamos para deixar as poucas coisas que compramos no apartamento e ao olhar pela primeira vez pela janela  da cozinha e ver o cenário do outro lado fiquei alguns minutos parada só agradecendo por tudo que temos à nossa disposição aqui no Brasil.

Em seguida, caminhamos uma vez mais para o centro de Havana para conhecermos outras atrações da área turística. Logo em frente ao Hotel Nacional, encontramos vários carros coloridos à disposição dos turistas para passeios. Nos contentamos apenas com fotos.

Fizemos uma parada para tomar um sorvete e mais uma vez nos surpreendemos com a beleza dos locais para turistas. Tudo bem arrumadinho, com aparência boa e preços caros: uma bola de sorvete 10 reais.

Dali continuamos nossa caminhada explorando outras partes da Havana real. Nesse segundo dia passando pelo cenário parecido com o de um pós-guerra, já estava cansada de ver tudo aquilo. Por esse caminho que fomos, encontramos vários açougues, nas condições que podem ver nas fotos abaixo. A parte boa: encontramos cebolas e abacaxi, rsrs. Nem tiramos tantas fotos porque queríamos era chegar logo na Havana para os turistas.

Finalmente chegamos à área turística! Dessa vez nos surpreendemos com alguns hoteis super chiques, lojas de grife e outras construções nada condizentes com a realidade do país. Do outro lado da calçada, prédios caindo aos pedaços como a maioria da cidade. Mais um choque pra gente!

Nossa próxima parada foi no Capitólio, que apesar de estar em reforma há anos, é uma construção linda e está ficando com cara de conservada (pelo menos na fachada, rsrs).

Seguindo nosso mapa, bem pertinho dali estaria a Chinatown de Havana. Caminhamos até lá e logo que vimos as condições do local, demos meia volta.  Passamos numa fábrica de charutos, mas não entramos para ver a fabricação. O Daniel entrou apenas na loja e nós ficamos aguardando do lado de fora.

Voltamos para o centro e para minha alegria a Adriana encontrou uma Coca-Cola com menos açúcar!! Estava com abstinência já, hehe. Sentamos um pouco na praça e depois fomos para o Museu da Revolução, mas quando chegamos lá estava fechado. Aproveitamos para ficar batendo papo na pracinha em frente à construção para decidirmos o que faríamos.

Para fecharmos nosso dia, encontramos um restaurante bacana com música ao vivo e por lá ficamos para jantar.  Fomos muito bem atendidos, comemos pizzas e curtimos deliciosos momentos para finalizarmos as atividades.

E assim concluímos nosso dia 2 : vivendo intensamente as diferenças entre a Havana Real e a Havana para os turistas, refletindo sobre o modelo do país e principalmente agradecendo por tudo que temos.

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Arquivado em Caribe, Cuba

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