Terceiro dia em Havana

Nossa primeira missão do terceiro dia na capital cubana era encontrar pão para almoçarmos sanduíche de sardinha (tínhamos levado algumas latas). Como a Adriana e o Daniel tinham conseguido comprar em nosso primeiro dia por lá, seguimos as orientações deles e caminhamos na direção da feira. Demos uma passadinha lá e Loedi até encarou comer umas bolinhas de queijo fritas como café da manhã. Enquanto isso, Camila se deliciava com seu milho cozido.

Não encontramos a “padaria”  seguindo as orientações que havíamos recebido e então começamos a pedir informações na rua. Todos que abordamos foram muito solícitos, porém em todos os locais que fomos não havia mais pães. Nessa caminhada encontramos outra feira um pouco mais ajeitada. Lá encontramos mamão cortadinho e melancia (que depois descobrimos que também eram bem sem gosto).

Andamos mais um montão e pedimos ajuda a várias pessoas até conseguirmos encontrar a distribuidora de pães do estado. Estávamos precavidos e levamos uma sacola para carregar, pois lá eles entregam nas mãos mesmo. Estando em Cuba é bem comum você encontrar pessoas levando pães sem nenhuma embalagem.

Na volta, passamos na pracinha para usarmos nosso cartão de internet e nos interarmos um pouco do mundo fora Cuba. Ficamos praticamente dois dias sem conexão. É muito surreal pensarmos e vivenciarmos essa maneira de se conectar em pleno 2018, mas sabemos que alguns anos atrás nem isso era possível por lá. É bem doido também pensar que em meio à tanta escassez e carros antigos, encontramos táxis novinhos importados. Foram essas coisas que ficamos observando sentados em frente ao Hotel Nacional.

E voltando para o apartamento (que ficava nesse prédio da foto) fomos conversando sobre essa nova experiência que vivemos pela manhã. Dei uma espiadinha no escritório da TV Cubana, localizado no térreo do prédio e também mais uma vez tivemos a impressão de termos parado no tempo.

Preparamos nossos sandubas, comemos e logo fomos conhecer mais um pouco do bairro em que estávamos hospedados: Vedado, que é uma das regiões mais conservadas da cidade. Traçamos a rota rumo à Praça da Revolução e fomos caminhando observando mais uma paisagem contrastante. Casas enormes e bem conservadas, com piscinas e quintais, sendo vizinhas de algumas construções no padrão que estávamos acostumados a ver em Havana Vieja.

Quando menos esperávamos, chegamos à uma avenida toda arborizada e conservada, bem bonita para os padrões cubanos. Por alguns instantes esquecemos a escassez e as construções precárias e adoramos curtir aquela vibe até chegarmos ao nosso destino.

Logo chegamos à um dos cartões-postais de Havana: a Praça da Revolução. Apesar da fama, a única coisa interessante para fazer por lá é tirar fotos, hehe. Trata-se de uma visita bem rápida pois só tem os prédios com as representações de Che Guevara e Cienfuegos, dois ícones da história cubana.

De lá, seguimos caminhando (bastante) até a Universidade de Cuba e assim conhecemos um outro pedaço da cidade. Ficamos tranquilamente sentados nas escadas, Camila fez uma amiguinha e ficaram brincando um bom tempo enquanto nós conversávamos. Já era final de tarde e resolvemos voltar andando para o apartamento, com algumas paradas no meio do caminho para alguns lanchinhos e refrescos. E é claro também que demos uma paradinha na praça para usarmos internet.

E assim fechamos nossa estadia em Havana. Foram 3 dias intensos e com muitos sentimentos antagônicos. Ao mesmo tempo em que estava eufórica por estar vivendo aquela experiência tive vontade de vir embora várias vezes. A sensação de ter dinheiro e não ter o que comprar pra comer, por exemplo, é terrível.  A vontade de comer um doce (algo que associo muito às férias) e não encontrar nada também não foi legal. A falta de higiene ficava sempre em minha mente quando íamos comer alguma coisa fora de casa, dentre tantos outros exemplos. O importante é que no final das contas hoje escrevo esses relatos e sinto muito orgulho de ter conhecido esse pedaço peculiar do mundo.

Acredito que 2 dias inteiros sejam suficientes para conhecer bem Havana. Se eu fosse refazer nosso roteiro colocaria menos dias em Havana e mais dias em Varadero, que será tema dos próximos posts.

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