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Peru – parte 5 : Lima em 4 horas

Como você deve ter visto no post anterior, nossa visita à Lima não era prevista. Fomos pra lá apenas porque queríamos passar o tempo. E já que não tínhamos planos, começamos indo ao guichê de informações turísticas do aeroporto para eles nos indicarem o que fazer em uma tarde em Lima. A simpática mocinha nos indicou a Plaza de Armas e suas redondezas.

Para irmos até lá, fugimos dos táxis oficiais que cobram mais caro e encontramos um taxista dando sopa logo na saída. Negociamos a corrida por 30 soles e lá fomos nós.

No caminho, a pobreza peruana é bastante visível em sua capital. Outra coisa que chama a atenção é o trânsito extremamente caótico (quase à la Egito). Levamos cerca de meia hora até chegarmos à parte mais turística da cidade.

Ao desembarcarmos na Plaza de Armas, deixei de lado toda a raiva que estava sentindo e disse: “Ainda bem que tive a chance de conhecer este lugar tão bonito!”

Realmente a Plaza de Armas de Lima impressiona pela beleza e bom estado de conservação dos prédios.

Saímos de lá e continuamos andando pelo calçadão e nos deparamos com outra bonita construção: a Casa de Correios e Telégrafo.

Por ali também vimos uma feirinha de bugigangas e resolvemos entrar pra ver qual era a do lugar…

A mocinha que nos deu as dicas de Lima no aeroporto havia dito que próximo à Plaza de Armas era possível experimentar os deliciosos doces peruanos. Conforme andávamos, vimos várias vitrines gastronômicas deliciosas e resolvemos experimentar um pudim (mais uma vez, extremamente barato e gostoso!).

Entretanto, o local que a mocinha se referia era outro…. que logo em seguida encontramos. Eram as barraquinhas gastronômicas de Lima, que logo de longe era possível sentir o delicioso cheiro….

São várias barracas com o mesmo padrão que servem diferentes tipos de comidinhas. Mesmo com a pança cheia de pudim, não pudemos deixar de provar as delícias peruanas.

E com a terrível dúvida de ter que escolher, pedimos pra tia colocar um pouco de cada um dos doces: arroz con leche, mazamorra morada e arroz zambito. Hummmm!

Da feirinha seguimos andando sem rumo e nos deparamos com ruelas charmosas, igrejas e construções interessantes.

Nas andanças, acabamos caindo na Calle de Boza, que é um calcadão cheio de lojas com preços maravilhosos….. uma delícia caminhar por ali!

Não compramos nada, mas entramos em muitas lojas e vimos muitas vitrines. O Peru é um ótimo lugar para fazer compras, pois os preços são ótimos, principalmente para roupas e calçados!

No final da Calle de Boza, encontramos a Plaza San Martin, com bonitas contruções à sua volta.

Lima é uma cidade que parece ser insegura. Este tempo que ficamos por lá permanecemos atentos a tudo. E como estava frio e com tempo nublado, decidimos voltar para o aeroporto antes de escurecer.

Negociamos com um taxista que estava por ali e seguimos para o aeroporto. O caminho foi tenso, pois o taxista pegou uns atalhos sinistros. Fiquei apreensiva até reconhecer o local por onde tínhamos passado na vinda.

Chegamos no aeroporto sãos e salvos e fomos para a sala Vip da Lan encarar as 7 horas que restavam. Estávamos podres de cansaço e desanimados em saber que só chegaríamos em casa no outro dia à tarde.

A sala Vip era excelente, com comidas, bebidas e camas para relaxar, mas nada nos fazia esquecer da humilhação que estávamos passando.

Após a longa espera, anunciam nosso embarque. Só foi o tempo de entrar no avião e dormir. Não vi nada depois que sentei…. só acordei quando chegamos em São Paulo.

Para nossa tristeza, ao chegarmos no Brasil a humilhação foi maior ainda com o atendimento da TAM, que não localizava nosso bilhete e insistia em dizer que eles não eram os culpados pela situação. Puxa vida, comprei o bilhete com eles, eles que fizeram a opção de conexão curta e a culpa não era deles??? Me poupe…..

Estar 24 horas sem tomar banho e sem ter uma cama para dormir mais a ironia da atendente da Tam foi o suficiente para eu fazer o maior barraco no aeroporto. Chorei, gritei, xinguei… afff!

Chegamos em São Paulo às 08 da manhã e vocês acreditam que a Tam queria nos colocar no vôo para Curitiba às 15 e 25??? Foi nessa hora que surtei e com muita briga nos colocaram no vôo do meio-dia. No final da história, levamos 29 horas para sair de Cuzco e chegarmos em casa.

É, gente! Viajar tem seus perrengues e esse foi o pior que já passei….

Felizmente hoje, ao escrever este post, me lembro muito mais das excelentes experiências que tive no Peru do que das peripécias da TAM. Os momentos que vivemos lá foram maravilhosos!

Cuzco, Machu Picchu e depois Lima de “brinde” são lugares completamente diferentes de tudo que já tinha visto em minhas viagens. Como disse no início dos posts sobre o Peru, tive certeza nesse roteiro de férias que eu realmente aprecio os contrastes.

Ver Nova Iorque e depois Cuzco, conhecer Las Vegas e depois Machu Picchu , visitar Washington e depois Lima só me faz ter mais certeza de que esse mundão está aí para ser explorado com todas as suas diferenças. Quem só escolhe os países ricos e desenvolvidos perde a chance ( e que chance!) de poder vivenciar os contrastes!

Após estas férias maravilhosas e termos autalizado nossa lista para 17 países visitados, o jeito foi preparar as coisas para voltar ao trabalho no dia seguinte :(. Ainda bem que na quinta-feira seria feriado e poderíamos descansar depois destes 30 dias mundo afora.

E como quando acaba uma viagem inicia a outra, agora é só começar a pesquisar sobre os destinos de férias 2012: Tailândia, China, Malásia e Cingapura!

Férias: definitivamente minha palavra favorita! 🙂 🙂 🙂

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Arquivado em América do Sul, Lima, Peru

Peru – parte 4: Cuzco

É claro que estávamos hospedados desde o primeiro dia em Cuzco e já tínhamos dado várias voltas por lá. Entretanto, ainda não tínhamos “turistado” e essa foi nossa missão para o domingo.

Já que íamos fazer tudo caminhando, podíamos acordar na hora que desse, sem pressa, sem correria. Tomamos café e seguimos rumo à Plaza de Armas. No caminho, paramos numa outra praça para tirarmos algumas fotos no dia ensolarado, porém bastante frio.

Cuzco é uma cidade linda e parece que o tempo parou por lá. Dá gosto observar todos os detalhes das casinhas, das ruelas, das praças. Na semana seguinte à que estávamos lá, iria acontecer a Festa do Sol, que é a principal festividade da região. Como precedente desta festa, no domingo iria ocorrer o desfile das escolas secundárias de Cuzco na Plaza de Armas e por isso o acesso até lá era praticamente impossível.

Pelas ruas podíamos ver os grupos fantasiados e os carros alegóricos como se fosse um carnaval.

Nossa estratégia para fugir da muvuca foi deixarmos a Plaza de Armas para depois e seguimos para o Mercado San Antonio, um lugar menos turístico para se comprar artesanato. Este mercado é frequentado pelos moradores da cidade e lá se vende de tudo. Desde frutas, verduras e cereais, até flores e carnes. Além disso, os peruanos fazem suas refeições por lá. É um local para quem quer apreciar o modo de vida cusquenho. Achei super interessante! E minha mãe, que adora artesanato, começou a se encher de sacolas….

Caminhamos por todos os corredores e saímos para dar umas voltas nas redondezas, quando um senhor me aborda e diz ser muito perigosa aquela região. Para não nos arriscarmos, seguimos para a Avenida do Sol, que é a localização do Mercado de Artesanato – a próxima parada que estávamos procurando.

Por causa da altitude, fomos caminhando bem devagar até chegarmos ao nosso destino e enquanto isso fotografando os pontos interessantes.

Passamos umas 2 horas do mercado de artesanato com minha mãe se acabando em compras. Para que gosta dessas coisas, prepare-se pois tudo é muito barato.

Com sacolas cheias, voltamos para a Plaza de Armas para almoçarmos. Mais uma vez, fomos no Adriano Trattoria e cada um pediu um delicioso prato…

O tempo que levamos pra almoçar foi suficiente para os desfiles acabarem e a Plaza de Armas ficar livre para a gente tirar fotos.

Com certeza é uma das praças mais bonitas que já vi! Desde que chegamos, eu não cansava de repetir isso. E já que era a hora de curtir a Plaza, muitas e muitas fotos para registrar o momento.

Como nossos pontos principais já tinham sido visitados, resolvemos andar sem rumo pelas ruelas de Cuzco a partir dali. Desde nosso primeiro dia, eu procurava as peruanas que ficam com filhotinhos de lhama para tirar fotos e não é que nesse dia encontramos? Não era lhama, mas valeu a foto 🙂

Outra coisa que eu queria fotografar eram os touros nos telhados das casas de Cuzco. O senhor Santos nos disse que é crença peruana ter um casal de touros no telhado e uma cruz, que significam que naquela casa vivem pessoas fortes e que têm a escada para subir ao céu.

Continuando nosso passeio, encontramos mais paisagens interessantes para fotografar…

Outra coisa que não podia passar batido era uma foto da Inca Kola, a bebida favorita dos peruanos e que tem gosto de suco de abacaxi com gás. Estando por lá, não deixe de provar!

Após nosso city tour, resolvemos ir numa loja de roupas que anunciava promoções. Caraca! Tudo muito barato. Se eu não tivesse me acabado em compras nos Estados Unidos, teria feito a festa. Mas me controlei e comprei só um casaco. Já minha màe e o Loedi fizeram a festa.

Saímos cheios de sacolas e fomos numa confeitaria comer bolos e tomar café para esquentar um pouco. Mais uma vez nos surpreendemos com o preço da comida. Mesmo em um lugar super ajeitadinho, gastamos bem pouco. Viva comer no Peru!

Nessas alturas, já tinha escurecido e o frio estava bravo. Cansados, voltamos para o hotel para ajeitarmos nossas coisas para partirmos no dia seguinte.

Acordamos, tomamos café e fomos aguardar o Senhor Santos. Não contei no post anterior, mas quando fomos pagar o passeio ao Vale Sagrado para o taxista, ele não tinha troco e combinamos que já deixaríamos paga a corrida para o aeroporto.

Nós ficamos bem desconfiados e achamos que ele não apareceria. Mas, para nossa surpresa ele apareceu pontualmente e trouxe um colega taxista para nos levar ao aeroporto visto que ele teria um outro passeio para fazer naquele dia. Nota dez para a sinceridade do simpático Senhor Santos!

Chegamos no aeroporto, fizemos check-in e nosso voo atrasou para decolar. Consequentemente, chegamos atrasados em Lima e perdemos nossa conexão para o Brasil!!! 😦 Arghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Fica a dica para quem vai de Lan+Tam: pegue o voo mais cedo que tiver em Cuzco para que você não passe por esta situação terrível que enfrentamos.

Ficamos quase 2 horas para resolvermos nossa situação com a Tam e a LAN e nos informaram que nos colocariam no próximo voo…. isso aconteceu por volta do meio-dia e adivinha que horas seria o próximo voo????????????? 1 da manhã!!!!!! Arggggggghhh mais uma vez! Imagine, iríamos passar 12 horas no aeroporto e ainda teríamos transtorno na conexão São Paulo – Curitiba. Um inferno! Não conseguia fazer nada além de chorar, chorar e chorar de ódio! Minha mãe e o Loedi tentavam me acalmar, mas nada me consolava. Tudo tinha sido muito perfeito e a viagem não merecia terminar desse jeito.

Nos deram almoço e acesso à sala Vip da LAN, mas isso não faria as 12 horas passarem rápido. Sendo assim, resolvemos ir até o centro de Lima para conhecer a cidade. Fazer do limão uma limonada, era o que nos restava naquele momento.

Não foi previsto, mas era o que tinha. Conto o que conseguimos ver em Lima no próximo post!

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Peru – parte 3: Salinas de Maras, Moray e Ollantaytambo

Como o dia anterior tinha sido bem longo, combinamos com o Senhor Santos que nosso passeio iria começar às 9 horas da manhã. Pela primeira vez conseguimos tomar café no hotel, que era pão geléia, manteiga, suco e café – básico, porém gostoso.

Entramos no táxi e seguimos rumo ao nosso primeiro destino: as Salinas de Mara. Antes de chegar lá, paramos num mirante muito bacana no qual era possível ver as montanhas nevadas.

Para entrar nas Salinas, é preciso pagar a entrada de 5 soles. Logo na vista lá de cima na estrada, o cenário já impressiona.

E chegando mais perto fica mais interessante ainda, pois você consegue ver bem certinho a camada de sal. Logo na entrada, há uma feirinha com artesanato em sal e passando por ela você chega às salinas.

A minha maior curiosidade ao chegar lá era ver se aquilo era sal mesmo…rs. E para ter certeza, tive que provar uma pitadinha e é óbvio que era. Outro experimento interessante é colocar a mão na água e esperar secar para você ver o sal se formar nos seus dedos.

Além da beleza do local, algo que chama a atenção é a mão-de-obra infantil ali utilizada…. algo triste de se ver.

Apesar disso, adorei a visita às Salinas de Maras… algo muito diferente e interessante. De lá, seguimos para Moray que fica bem próximo.

Não tínhamos adquirido o boleto turístico de Cuzco até o momento, mas para entrar em Moray foi necessário. O boleto turístico é um passe que você utiliza para visitar as principais atrações turísticas da região. Existem 2 tipos: o integral e o por circuito (maiores informações no site). Optamos pela opção mais em conta, de 70 soles, pois não teríamos tempo para visitar todos os lugares inclusos no integral.

Com o bilhete em mãos, partimos para visitar os Morays, que eram lugares em que os incas faziam experimentos agrícolas. Ao olhar lá de cima, não tem como não pensar em quão perfeitos são aqueles círculos e como os incas conseguiram fazer algo daquele tipo tanto tempo atrás…

Mas é claro que não nos contentamos em vê-los lá de cima e resolvemos descer, mesmo sabendo que a altitude poderia nos deixar exaustos. Para descer foi tranquilo… a principal dificuldade foram as escadinhas incas até chegarmos ao centro do Moray.

Minha mãe, que tem 63 anos, preferiu não descer. Nós fomos e chegar lá, bem no meio, foi demais! Contemplar toda aquela obra compensou todo o esforço de se chegar ali…

Ficamos um pouco por ali pensando em quanto seria desafiador o caminho de volta e resolvemos voltar devagar. Caramba! Subir aquelas escadinhas com a altitude parecia impossível. Subíamos um andar e cada vez e mesmo assim ficávamos extremamente ofegantes (e nós 2 praticamos atividades físicas regularmente…). O jeito era ir parando para tirar fotos.

A subida final foi terrível… pior que a da duna da Lagoa Betânia nos Lençóis Maranhenses. Juro que pensei que não fosse conseguir chegar lá em cima. Mas, felizmente, chegamos! E-xaus-tos!!!!!

Respiramos um pouco e fomos tirar mais uma fotografias da bela paisagem dali de cima.

Nosso próximo destino era Ollantaytambo e o senhor Santos pegou uma estradinha muito linda passando pelo meio do Vale Sagrado. Uma paisagem mais linda que a outra, ali, no meio das montanhas.

Com o belo trajeto, chegamos a Ollantaytambo, que além de ter as ruínas é uma cidadezinha bem acolhedora e cheia de barracas de artesanato.

Ao avistarmos as ruínas, nosso primeiro pensamento foi: mais escadas para subir na altitude, rsrsrs. Ok, ok 🙂

Pernas pra que te quero! Iniciamos nossa subida pelas ruínas, bem devagarinho… e a cada degrau parávamos para contemplar a paisagem… Ali, parecia tudo diferente principalmente o reflexo do sol nas montanhas que deixava o ambiente mais bucólico que nunca.

Para descansar um pouquinho, parávamos perto de alguns grupos guiados, ouvíamos um pouco da história de Ollantaytambo e é claro que tirávamos fotos e mais fotos.

Minha mãe afinou e não subiu tudo… rs. Voltou antes da gente! Nós fomos até o fim das ruínas…

É claro que sem guia, não pudemos entender nada do que foi Ollantaytambo mas isso não tirou em nada o encanto do lugar. Observar as construções, os alinhamentos das pedras e dos andares nos impressionou mesmo sem sabermos os porquês.No caminho de descida e lá embaixo, também vimos construções bem interessantes.

Nessas alturas do campeonato, após passar o calor da intensa atividade física, o frio estava intenso e fomos tomar um café para nos esquentar. Aguardamos o Sr Santos e voltamos para Cuzco.

No caminho de volta fomos conversando e refletindo sobre a história de comer a sobremesa antes do prato principal, ou – traduzindo – visitar Machu Picchu antes do Vale Sagrado. Nossa conclusão foi que não foi nem um pouco frustrante a experiência, pois sabíamos que ambos eram atrações diferentes. Machu Picchu é famoso, falado e comentado em todos os lugares do mundo e querendo ou não gera uma expectativa maior. Já de Ollantaytambo, os Morays e as Salinas pouca gente ouve falar e é aí a grande surpresa! Para nós, ambos foram surpreeendentes e a ordem pouco importou. Pode ser um delicioso jantar com uma bela sobremesa, ou vice-versa. Os dois lugares irão te encantar qualquer que seja a ordem.

Não posso deixar de mais uma vez agradecer o Luiz, do blog Boa Viagem, por me permitir conhecer Moray e as Salinas que eu nunca tinha ouvido falar na vida!

Após esse dia maravilhoso, chegamos em Cuzco e fomos procurar um lugar para jantarmos, uma vez que não tínhamos almoçado. Nossa opção foi a pizza, mais uma vez, num restaurante chamado Trattoria Adriano, localizado bem próximo à Plaza de Armas e com preços muito bons. Aliás, se tem uma coisa que é extremamente barata no Peru é a comida.

Após o jantar, voltamos para o hotel para descansarmos e nos preparar para o último dia no Peru. Nossos planos para este dia era conhecer um pouco mais de Cuzco. A viagem estava sendo do Peru, literalmente! hahahaha 😉 😉 🙂

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Arquivado em América do Sul, Peru, Vale Sagrado

Peru – parte 2: Machu Picchu

Agendamos com o hotel (mais uma vez, argh) o táxi para nos levar à estação de trem Poroy, por 50 soles (cerca de 25 reais) e foi no caminho, conversando com o taxista, que descobrimos que o cara do hotel superfaturava as corridas. Ainda bem que foi a última vez que caímos no golpe e acertamos com o senhor Santos – o taxista- a corrida de volta por 20 soles.

Chegamos na estação às 6 horas e o frio estava de lascar… Aproveitamos para tomar um café quente antes de embarcarmos.

A estação Poroy é ajeitadinha e bem pronta pro turismo, reforçando nosso pensamento de que os peruanos realmente valorizam esta atividade.

Aguardamos um tempo e chegou a hora de nosso embarque… e lá fora, a surpresa com a vista da estação.

Como escrevi no post de planejamento, compramos o bilhete de ida com o trem Vistadome e lá fomos nós ver como era. A simpatia do pessoal da Perurail na recepção é algo a se destacar. Aliás, a experiência com a Perurail foi extremamente positiva…

A viagem já inicia com belas paisagens e durante todo o trajeto é possível se impressionar com as belezas naturais do trecho. Vimos lindos rios, montanhas nevadas, plantações diversas, pequenas casas rurais. A duração da viagem é de aproximadamente 3 horas e meia.

Nos principais trechos, há anúncios no trem com explicações em espanhol e inglês falando sobre as características do local.

No Vistadome, há serviço de bordo diferenciado. O cuidado com que eles arrumam as mesinhas no trem e a disposição do cardápio expressam o carinho com que os funcionários tratam os turistas. E já que era hora do café da manhã, aproveitamos para provar 2 coisas diferentes: a tuna (primeiro item do prato), que é a fruta do cacto e é bem gostosa e também o trigo (segundo item), que parece aquelas pipoquinhas doces que comemos aqui no Brasil. Minha mãe teve que comprar um pacotão para trazer, de tanto que gostou, rsrs.

Devido à minha ansiedade, a viagem foi super longa. Eu não via a hora de chegar logo e de repente ouço a mensagem : “Daqui a poucos minutos chegaremos em Águas Calientes, o início de sua jornada para Machu Picchu. Agradecemos sua preferência e esperamos que seu dia seja inesquecível!”

Águas Calientes é uma pequena vila que serve de ponto de partida para MP. Logo que você sai da estação já se depara com uma feirinha de artesanato. Passamos por ela e fomos procurar o lugar para a compra dos ingressos – Centro Cultural.

Os ingressos custam 126 soles (achei caro pra caramba!) e mais os ingressos do ônibus para chegar até as ruínas, que custa mais 15,50 dólares… Convertendo, você gasta cerca de 90 reais para ir à MP já estando em Águas Calientes.

Atenção: a partir de julho/2011, devido à recomendação da Unesco a quantidade de visitantes à Machu Picchu foi reduzida e agora só é possível comprar ingresso pela internet.

A cidadezinha é bem acolhedora, no meio das montanhas e com menos altitude que Cuzco. O friozão já tinha dado uma trégua e pudemos tirar algumas blusas.

O caminho até MP é bem sinuoso e a estradinha sinistra, mas leva no máximo meia hora. Ao chegarmos, fomos procurar um lugar para deixarmos os casacos pois a temperatura tinha aumentado bastante. Conosco estava a Cristina, uma brasiliense muito simpática que estava viajando sozinha e que juntou-se a nós para o passeio.

Logo na entrada, um monte de guias começou a nos abordar para as explicações nas ruínas, mas nossa ideia era fazermos o passeio sem o profissional. Enquanto esperávamos a Cristina ir ao banheiro, um jovem guia se aproximou da gente e começou a conversar em inglês conosco para oferecer seus serviços. Nós tentamos de todo jeito despistá-lo, dizendo que estávamos pobres, que não poderíamos pagar um guia. Para nossa surpresa, ele disse que faria de graça, apenas para praticar o inglês, já que aquele era seu dia de folga. Eu e o Loedi achamos injusto, e nossa primeira resposta foi essa. Persistente, ele insistiu, insistiu e disse que MP seria apenas um monte de pedras caso resolvêssemos fazer sozinhos. Para tentarmos nos livrar de vez, oferecemos 100 soles pelo passeio para 4 pessoas e ponto final (os outros guias estavam cobrando 50 soles por pessoa). Ele chiou um pouco, mas topou no final. Sendo assim, entramos em MP com o guia Javier.

Logo no primeiro trecho de entrada, já é possível ver as lindas montanhas cobertas de vegetação. A vista é demais!

Por mais que a vista seja linda no caminho de entrada, nada se compara à emoção de se ver o Wayna Picchu logo à sua frente, ali, lindo e maravilhoso do jeito que você sempre viu nas fotos, na televisão, nos seus sonhos… Ver a montanha em plena harmonia com as ruínas é indescritível!

Sempre falo dos lugares que “não dá vontade de parar de tirar fotos”e o Huayna Picchu é um deles… não tem como não se encantar com a harmonia da paisagem. O que nos freiou um pouco foi o guia, que queria dar suas explicações e nossa atenção, e dessa forma sossegamos um pouco com a câmera.

Uma coisa que pensamos foi que ainda bem que pegamos um guia, pois não tivemos tempo nenhum antes da viagem para pesquisarmos sobre as ruínas e sem estas informações o lugar é somente um monte de pedras. Com a presença do Javier, aprendemos muito sobre o lugar. Ao ouvir as explicações, a única coisa que passava por minha cabeça era como os incas eram feras demais…. Como há milhares de anos atrás eles conseguiram desenvolver tanta coisa? Ficava cada vez mais surpresa com a inteligência desse povo. Não vou escrever aqui no blog sobre tudo o que o Javier falou e nem sobre a história de MP pois isso é bem fácil de achar por aí. O que quero descrever neste post são as emoções que senti estando na terra sagrada dos incas.

Eu não sou mística e nem acredito em nada que seja espiritual ou coisas afins, mas senti em MP paz, tranquilidade, serenidade. As ruínas ficam ali, no meio das montanhas, e com o rio láaaaa embaixo, o que proporciona um sentimento de estar num lugar extremamente calmo e acolhedor. A cada pedra que você olha, a cada história que se ouve, um sentimento diferente surge: surpresa, admiração, respeito…. São muitas as sensações vividas por lá.

A pergunta que eu mais me fazia era como os incas foram chegar naquele lugar para construir a cidade… Como? Como? Como? rsrsrs.

Na visita guiada, andamos pelos principais pontos das ruínas e após 1 hora com o Javier, estávamos liberados para tirar todas as fotos que queríamos sem levar xixizada dele…

Javier, o guia

Paramos apenas para fazer um lanchinho e em seguida fomos para a maratona de fotos.

Ficamos cerca de 2 horas e meia contemplando a beleza e história das ruínas de MP, tempo suficiente para ver o quanto o lugar é lindo e único. Não é à toa que é um dos patrimônios da humanidade…

Encantados, pegamos a trilha para voltarmos à entrada do parque onde tínhamos mais uma missão: pegar o carimbo de Machu Picchu em nosso passaporte.

Depois dos momentos mágicos na terra sagrada dos incas, pensei na frase que ouvi no trem logo na chegada e com certeza tive uma experiência inesquecível como eles haviam dito. Mesmo já tendo passado por muitos lugares lindos, Machu Picchu foi diferente….não sei descrever o porquê.

Com esse pensamento, pegamos o ônibus para voltarmos para Águas Calientes, onde demos umas voltas, comemos e pegamos o trem de volta para Cuzco.Nossa volta foi no Expedition, a categoria mais simples da Perurail e a percepção que tivemos foi que é quase a mesma coisa do Vistadome. A única diferença é o serviço de bordo e o preço (é óbvio!), pois a estrutura do vagão é igualzinha. Tivemos a companhia de 2 americanos na viagem e foi muito agradável nosso bate-papo, o que fez passar rapidamente.

Chegamos na estação Poroy às 20 e 30 e lá estava o senhor Santos nos aguardando. Lá pelas 21 horas estávamos no hotel prontos para descansar depois deste dia super puxado. Aproveitamos a sinceridade e simpatia do taxista e agendamos o passeio ao Vale Sagrado no dia seguinte com ele por 180 soles.

Muitos tinham dito que ir à Machu Picchu antes do Vale Sagrado era como comer a sobremesa antes do prato principal e era esse pensamento que estávamos na cabeça. Mas será que foi isso mesmo que achamos? Veja no próximo post como foi Ollantaytambo e Vale Sagrado 🙂

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Arquivado em América do Sul, Machu Picchu, Peru

Peru – parte 1: primeiras impressões

Apesar deste ser o post sobre o Peru, não posso deixar de contar como tudo terminou na volta dos EUA, uma vez que emendamos uma viagem na outra.

Nosso voo de Miami atrasou 3 horas e meia (argh) e consequentemente perdemos nossa conexão em Curitiba e só fomos chegar aqui por volta das 13 horas. A Paula e o Fernando (minha irmã e meu cunhado) foram nos buscar no aeroporto e foi nosso último sufoco com as 5 malas e os 100 kg de bagagem…. Finalmente comemos comidinha da mamãe, que também estava nos esperando e já começamos a pensar na mala para o Peru….Olhamos a previsão do tempo e após um mês inteiro praticamente só no calor, chegava a hora de encararmos o frio do Peru.

Chegamos em Curitiba na quarta-feira e nosso voo para o Peru era na quinta às 06 da manhã (=acordar às 4 horas). Ok, ok, ser viciada em viagens tem seus sacrifícios, mas mesmo assim eu amoooo 🙂 🙂

Seguimos pela manhã pro aeroporto, e nosso voo para São Paulo saiu no horário, assim como o voo São Paulo – Lima. O fuso horário no Peru favorece a viagem, 2 horas a menos que no Brasil, e chegamos em Lima na hora no almoço.

Como tínhamos conexão para Cuzco, tivemos que pegar a bagagem e despachar novamente, além de termos que pegar nosso cartão de embarque da LAN. Como tínhamos apenas 1 hora de conexão, tudo foi bem corrido, mas deu certo.

Aproveitamos também nossa parada em Lima para usarmos nosso cartão de débito e sacarmos alguns soles (moeda do Peru). Temos a facilidade em nosso banco de sacarmos em moeda local sem pagar tarifa e sempre usamos esse método pois é bem mais vantajoso. Alternativas para quem não tem esse benefício: levar dólares e trocar por lá ou fazer um cartão pré-pago tipo Visa Travel Money.

Embarcamos rumo à Cuzco no voo da LAN (primeira vez que voei com a companhia e adorei) e em uma hora estávamos lá. Uma coisa emocionante é o pouso no meio da cordilheira…. fiquei bem apreensiva até o avião parar.

O aeroporto de Cuzco é bem pequeno e logo que você pega as malas já começa ser abordado pelos taxistas. Como o hotel em que íamos nos hospedar tinha nos enviado um e-mail oferecendo o táxi por 10 dólares, já tínhamos fechado e apenas fomos procurar a plaquinha com meu nome. Fica aqui a primeira dica: não feche táxi com os hotéis pois eles enfiam a faca. O trecho que nos cobraram 10 dólares na ida, saiu por 3 dólares na volta.

Chegar no Peru após quase um mês nos EUA é chocante. Sair de um lugar extremamente desenvolvido e desembarcar na pobreza peruana me fez pensar sobre como gosto de contrastes… Confesso que veio em minha memória um pouco do que pensei ao chegar no  Egito.

Estava no táxi o cara do hotel e o taxista. O espanhol deles é bem mais fácil de entender do que o do Chile e eles também arriscam várias palavras em português. Felizmente a comunicação não foi problema.

Outra coisa que chamou atenção ao chegarmos em Cuzco é a sua localização no meio das montanhas. Para qualquer lado que olhe elas estão lá, lindas… E a terceira coisa foi a semelhança de aparência das pessoas. É bem nítido que é peruano e quem é turista.

Levamos cerca de 20 minutos para chegarmos no hotel e quando chegamos me assustei, pois entramos num beco muito sinistro e lá era o hotel. Depois que percebi que aquele era o jeitão da cidade e não havia nada de perigoso por ali. O Inka Club Hostel é extremamente simples e não tem televisão no quarto (que pra mim não faz a menor falta), mas é limpo e tem um bom chuveiro. Duas coisas me incomodaram lá: eles terem enfiado a faca no táxi e terem esquecido de repor as toalhas no banheiro, nos deixando esperando 2 horas para providenciarem. De resto, ok.

Uma preocupação que eu tinha era em relação à altitude, uma vez que Cuzco se localiza a mais de 3000 metros. Num primeiro momento, não senti nada, mas foi só irmos dar umas voltas para conhecermos as redondezas para eu perceber que a respiração começa a ficar ofegante conforme você anda…. O que eles recomendam? Bala de coca, e foi bem isso que fomos procurar.

A  localização do hostel é excelente, a poucas quadras da Plaza de Armas, que é o centrão da parte turística. Andamos por lá e fomos atrás do supermercado. Compramos as balinhas, água e fomos jantar numa pizzaria por ali. Foi nossa primeira surpresa com os preços: super barato! Pizza e refrigerante para 3 pessoas saiu por 11 reais.

Outro item que nos chamou a atenção foi como os peruanos valorizam os turistas no atendimento. Eles realmente entendem que o turismo é o que mantém a cidade.

Andando pelas ruas de Cuzco, nos surpreendíamos com várias coisas neste primeiro final de tarde…. com as peruanas vestidas tipicamente e com seus bebês pendurados nas costas, com as criancinhas saindo da escola todas uniformizadas, os pequenos ônibus lotados de gente, a quantidade de gringos pela cidade, o vento gelado da noite…

Sinceramente não sei se é psicológico, mas as balinhas de coca aliviaram meu mal-estar e elas passaram a ser item obrigatório na mochila.

Após as primeiras andanças e impressões voltamos para o hotel pois o frio estava congelante e além disso tínhamos que dormir cedo pois nosso trem para Macchu Picchu partiria às 06 e 30 da manhã.

Mesmo muito cansada e com vontade de dormir muito, mal podia esperar pelo dia de finalmente conhecer Machu Picchu, o próximo destino a ter post aqui no blog!

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Arquivado em América do Sul, Peru

Peru – planejamento

Um dos motivos que me faz escolher algum destino, é ver a foto de alguém na paisagem. Quando vejo, penso: também quero uma foto dessas! E uma que sempre vi e quero igual é uma foto em Machu Picchu. Essa foto da Flávia (minha amiga) me deixou com mais vontade de ir até lá…

Quero uma foto igual a essa!

Só havia um impecilho para conhecer o Peru: não queria investir férias inteiras neste destino, pois prefiro ir a lugares mais distantes e também não era possível ir num feriado pois as opções de voos são poucas e diurnas. O que fazer então? Fiquei com a ideia arquivada até ter uma solução.

Comecei a pesquisar sobre como chegar a Machu Picchu e descobri que se realmente estivesse disposta a fazer um SUPER bate-volta, daria para eu conhecer Machu Picchu num final de semana prolongado, mas seria totalmente desgastante pois viajaria a sexta e o domingo inteiro para curtir apenas o sábado. Como teria uma folga no trabalho em julho, a data estava escolhida. Se era essa a opção, ok, decidimos encarar.

Como nossa intenção era viajar de graça com pontos do TAM Fidelidade, tínhamos que esperar 3 meses antes para emitir os bilhetes.

Nesse meio tempo, recebi a visita aqui no blog do Luiz Jr – do site Boa Viagem, e fui dar uma espiada no blog dele quando vi 2 lugares que nunca tinha ouvido falar : Moray e Salinas de Marasal. Se você também não conhece, vejas as fotos que achei na internet…

Moray

Salinas de Marasal

Fiquei encantada com os lugares que vi no blog do Luiz e como ainda não tinha comprado as passagens aéreas, tivemos tempo para readaptar os planos. Cheguei a ligar na Tam para emitir o bilhete em julho, quando o Loedi teve uma brilhante ideia: porque não usar os últimos dias das férias para ir ao Peru? Como não havia pensado nisso antes…..Na mesma hora, liguei pra Tam e emiti com o fidelidade as passagens de ida e volta para mim, pro Loedi e pra minha mãe (que sempre sonhou em ir à Machu Picchu).

Passagens aéreas: Curitiba/São Paulo/Lima com a Tam  e Lima/Cuzco com a LAN. Ainda bem que emiti, pois acabo de receber um e-mail da Tam com as alterações na quantidade de pontos para emitir passagens-prêmio na América Latina. Antes eram 20 mil, agora passou para 30 mil 😦

Uma coisa que facilita uma viagem rápida ao Peru, é o fuso horário. Apesar das 7 horas de viagem até Cuzco, chegaremos lá no meio da tarde.

Outro fator de atenção numa viagem ao Peru é a altitude. Cuzco,  a cidade que é ponto de partida para Machu Picchu, fica a 3400 metros de altitude. Falei com algumas pessoas que já estiveram lá e o segredo é único: tomar chá de coca que os peruanos te oferecem como se fosse água.

Durante os 4 dias que passaremos no Peru, ficaremos hospedados no Inka Club Hostel que reservamos pelo Booking.com . Tudo é muito barato no Peru! Para vocês terem ideia, a reserva de 4 diárias para 3 pessoas saiu por 14o dólares…

Planos para a quinta: conhecer Cuzco bem devagar para ir se acostumando com a altitude.

Sexta-feira: ir para Machu Picchu logo cedo. Compramos o ticket com a Perurail, por e-mail visto que há um bloqueio de segurança para a compra direto no site. Na ida, escolhemos o vagão panorâmico – Vistadome – para podermos apreciar a paisagem rumo à Águas Calientes, lugar de onde parte o ônibus rumo à Machu Picchu. Para a volta, escolhemos o vagão mais barato.

Sábado: fazer um passeio para Moray e Salinas de táxi, que é super barato por lá, ainda mais que seremos 3 pessoas.

Domingo: conhecer Ollaytaytambo e as redondezas de Cuzco, também de táxi.

Segunda-feira: Dia de partir rumo à Curitiba e ao final das férias 😦 😦

Um dia: esse é o tempo que teremos em casa durante nossas férias de 30 dias…. e na quarta voltaremos ao trabalho para dar duro mais um ano e garantir a super viagem de 2012…

Vida de viajante é assim, acaba uma viagem, já se pensa na próxima 🙂

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Arquivado em América do Sul, Peru