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Montevidéu: parte 2

Acordamos no domingo bem descansados após muitas horas de sono. Nosso primeiro destino para o dia seria a feira de Tristán Narvaja, que é um dos lugares mais visitados pelos turistas e moradores de Montevidéu.

Olhamos no mapa, vimos que era perto do hotel e seguimos caminhando. Paramos num supermercado para comprarmos algo para comer e lá fomos nós pra feira seguindo pela avenida 18 de Julho.

Observar o centro de Montevidéu não é algo que encha os olhos, pois as ruas são sujas, os prédios são velhos e em muitos pontos têm mal cheiro. O bacana de passear por ali é observar o povo uruguaio tomando mate a todo tempo e em todo lugar, as velhinhas saindo da igreja no dia de missa, o jeito deles levarem a vida. Quando mal percebemos já estávamos na esquina da Tristán Narvaja, o local da feira.

Imagine uma feira onde se vendem frutas, verduras, galinhas vivas, pássaros, roupas, artesanato, eletrônicos, peixes, plantas e muito mais.

Este é o estilo da feira, que é lotada de gente. Eu não gosto muito desse tipo de lugar pois perco a paciência facilmente no meio da multidão. Sendo assim, apenas demos uma rápida passada e vazamos.

Como ainda não tínhamos achado o carregador para nossa câmera, seguimos andando até o Shopping Tres Cruces, que pelo que o rapaz tinha nos dito lá no outro shopping seria onde iríamos encontrar. A camelada foi grande, mas finalmente chegamos e encontramos o carregador. Problema câmera: resolvido!

De lá pegamos um ônibus e seguimos para a parte chamada Ciudad Vieja, que é o principal destino turístico de Montevidéu e tem como ponto de partida a Plaza Independencia.

Realmente a praça é um lugar fotogênico, e abriga os prédios que provavelmente você vê como referência de imagem da capital uruguaia.

No centro desta praça fica o mausoléu do militar Artigas, que é considerado um herói para o Uruguai. Ali também está localizada a sede do poder uruguaio e o Palácio Salvo. Tem também a porta da cidadela.

Montevidéu tem o charme de contar com quiosques estilizados que sinalizam os nomes das praças. Por todos os cantos da cidade que andamos pudemos notá-los. Funcionam como vendinhas de balas e guloseimas, mas servem acima de tudo para dar um toque especial. Eles são verdes com as informações em vermelho, não tem como não notar!

A poucos passos da Plaza Independencia, fica o Teatro Solis que é outro cartão postal de Montevidéu. Impressiona pela beleza externa e deve ser muito bacana internamente. Há passeios agendados com guias em português por 4 reais, mas nós não fizemos. Nos contentamos em fotografar por fora.

Saindo da Plaza Independencia, há um calcadão que deve ferver nos dias úteis. Como era domingo, encontramos poucas pessoas passeando por ali e seguimos caminhando até o Mercado do Porto, que seria nossa próxima parada.

No caminho, prédios antigos, lojas fechadas, igrejas, algumas praças e claro, muitos uruguaios apreciando mate 🙂

Ao se aproximar do Mercado del Puerto, o cheiro de carne já te faz sentir aquela fome. Hummmm! E ao entrar no lugar o desejo de apreciar a carne uruguaia só aumenta.

Demos uma andada lá dentro para pesquisarmos os preços e percebemos que quase não mudam: são caríssimos em todos os restaurantes! Mas ir até lá e não provar a tão falada carne uruguaia seria um vacilo.

Você tem duas opções para almoçar: sentados em mesinhas comuns de restaurante, ou sentar no balcão e fazer seu pedido.

Nós optamos pela opção menos comum pra gente: comer no balcão. O cardápio pode te deixar bem confuso na hora de fazer o pedido pois são muitas opções. Um ponto para prestar atenção é no tamanho das carnes. Nós pedimos a versão “petit”e mesmo assim era generosa. Como é cara e deliciosa, melhor fazer o pedido certo para evitar desperdício. Nossa escolha foi um petit lomo e um petit bife de ancho que pode ser acompanhado por arroz, purê, salada ou batatas fritas. Além disso eles servem uma porção de pães para acompanhamento.

O sabor da carne é incomparável! Muito boa, mesmo o almoço tendo custado 82 reais (uia!) Paga-se pela experiência e uma vez ou outra abrir a mão vale a pena!

Após almoçarmos, demos uma volta pelo mercado que além de restaurantes tem algumas lojinhas de artesanato e artigos típicos do Uruguai.

Saímos pela outra entrada onde acontecia um pequena feira de artesanato.

Passeando por lá fomos abordados por uma simpática loirinha uruguaia fazendo propaganda de uma loja de artesanatos e que naquele dia estava oferecendo transporte grátis para os visitantes. Como queríamos comprar presentinhos para mãe e sogra e estávamos com preguiça de voltarmos andando para o hotel, aproveitamos a van para nos deslocarmos.

Compramos só as lembrancinhas e seguimos para a Avenida 18 de Julho que estava próxima dali. Como estava bastante calor, aproveitamos para tomar um sorvetinho.

Seguimos pela avenida até chegarmos até outra atração de Montevidéu: a Fonte dos Cadeados, onde apaixonados do mundo todo prendem cadeados para que nunca se separem.

Continuamos andando até chegarmos à Plaza del Entrevero, que apesar de mal conservada é ainda bem charmosa.

Ficamos sentados um tempo por ali observando o mapa e vendo onde mais poderíamos ir, visto que era por volta de 3 da tarde. Chegamos à conclusão de que não tínhamos mais nada para fazer em Montevidéu. Sendo assim, apenas passamos no supermercado para comprarmos umas coisinhas para jantarmos e voltamos para o hotel.

Largamos as coisas lá e fomos ver o dia passar sentados à beira do Rio da Prata, assim como fazem os uruguaios.

Ficamos um tempinho lá sentados observando as pessoas aproveitando o dia de sol na orla.

Já no sábado tínhamos notado que em Montevidéu não teríamos o que fazer por 3 dias. Dessa forma, resolvemos incluir nos planos uma visita à Punta del Este, que é a cidade queridinha de ricos, famosos e brasileiros.

Como não estávamos no clima de aventura de ônibus e tínhamos que estar no aeroporto de madrugada para voltar ao Brasil, resolvemos alugar um carro para fazer este passeio pois o custo acabaria compensando.

Fizemos a reserva pela internet na Localiza e optamos por pegarmos o carro no centro e devolvermos no aeroporto. Valor da diária: 55 dólares. Nem fizemos pesquisa em outras locadoras, pois precisávamos desta comodidade.

E já que tínhamos estes planos, não esperamos pelo pôr-do-sol à beira do rio. Voltamos para o hotel antes disso para estudarmos o que faríamos no dia seguinte no bate-volta à Punta del Este – assunto do próximo post aqui no blog. 🙂

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Arquivado em Montevidéu, Uruguai

Montevidéu: parte 1

Sair da chuvosa e fria Curitiba no sábado foi um alívio, mesmo tendo que acordar às 4 horas da manhã. Voos no horário foram outra alegria para o início da viagem ao Uruguai. Ver que finalmente foi colocado um painel eletrônico avisando os guichês disponíveis na Polícia Federal em Guarulhos foi outra coisa boa. Em todas as minhas viagens anteriores achava um absurdo ver as atendentes berrando inutilmente- próximo, próximo, próximo… argh! Ufa, resolveram pelo menos esse problema por lá.

Aterrissamos em Montevidéu ao meio-dia e ao desembarcarmos já fiquei impressionada com o aeroporto. Aliás, ao chegar lá fiquei pensando o quanto os primeiros passos em aeroportos marcam minha memória. Não sei porque, mas a ansiedade de estar num lugar diferente me faz pensar que o desembarque é um momento especial, pois é a certeza de que finalmente cheguei onde estava esperando há tempos.

E essa experiência no Uruguai foi fantástica. Se estivesse um pouco sonolenta teria certeza de que estava chegando num país de primeiro mundo, de tão lindo, limpo e organizado que é o aeroporto. Virei para o Loedi e disse: me sinto em Frankfurt, hahahaha. Que choque sair do caótico Guarulhos e desembarcar no harmonioso Carrasco.

E se por dentro ele é lindo, por fora parece obra de Oscar Niemeyer (sou fã dele!). Mas para não menosprezar o artista, fui procurar o verdadeiro autor da obra: Rafael Viñoli, arquiteto uruguaio.

Pegamos nossa mala e fomos sacar dinheiro para pegarmos o ônibus rumo à Montevidéu. Como a aeroporto fica há mais de 20 km do centro, um táxi fica bem caro e nem cogitamos essa possibilidade.

Almoçamos num Mc Donald’s ali mesmo no aeroporto para podermos trocar o dinheiro. Logo em seguida, facilmente encontramos o ponto de ônibus que fica bem na frente da porta do desembarque. Dá pra pegar qualquer ônibus que venha escrito Montevidéu. Custo da passagem: 32 pesos uruguaios, ou 3,20 reais. Para converter para reais lá é só dividir por 10, easy 😉 !

O trajeto é longo. Levamos quase uma hora até o ponto que precisávamos descer, mas por esse preço estava mais que ótimo. Descemos no centro e de lá seguimos para nosso hotel.

Ficamos no hotel Iberia, um hotel simples, duas estrelas e que cumpre o que promete na internet. Gostamos da localização por ser pertinho do centro, de supermercados e de pontos de ônibus. Não me pergunte como é a região à noite, pois nenhum dia cheguei ao hotel após o pôr-do-sol ( que ocorria após 20 e 30h).

Largamos nossas coisas no quarto e já descemos para pegarmos um mapa na recepção e começarmos nosso passeio. Em poucas horas no Uruguai já tínhamos percebido a simpatia do povo com brasileiros e com a moça do hotel não foi diferente.

Nossos planos para este primeiro dia contemplavam a orla de Montevidéu, ou como eles chamam, as Ramblas, que são as largas avenidas que ficam às margens do Rio da Prata.

Nosso hotel ficava há umas três quadras da Rambla, e foi para aquela direção que seguimos. Ao avistar o rio, o primeiro pensamento que me veio à mente foi que a Argentina estava do outro lado, rsrsrs. E também não tem como não pensar na imensidão do rio, que parece não ter fim.

Paramos um pouco por ali e decidimos caminhar até Punta Carretas, que é um dos bairros nobres de Montevidéu. A distância era longa, mas mesmo assim resolvemos encarar.

Em nosso percurso, duas coisas nos chamaram a atenção: a calmaria da cidade, que mesmo sendo a capital do país parecia interior na tarde de sábado; e como as pessoas aproveitam a orla cheia de praias da mistura de rio com mar.

Nas calçadas você vê pessoas praticando esportes, na beira-mar vários pescadores, do outro lado crianças jogando bola, alugando patins ou patinetes. Tudo é válido para aproveitar o dia de sol e calor à beira do rio da Prata.

Após longas pernadas, chegamos à Punta Carretas, que inicia logo após o Parque Rodó. Nessa parte da orla, parece que você mudou de cidade. Tudo fica mais bonito e com outros ares. A Rambla ganha prédios altos e modernos, palmeiras vistosas, clubes, bares e restaurantes charmosos. Uma delícia contemplar essa paisagem!

Não estou de forma alguma comparando Montevideú com o Rio de Janeiro (pois seria muito injusto!), mas caminhar por Punta Carretas e Pocitos (outro bairro nobre da capital uruguaia) lembra os ares da cidade maravilhosa.

Após quase 4 km de andanças, resolvemos voltar, mas não sem antes tirarmos mais algumas fotos dali.

Caminhamos até o Punta Carretas Shopping, onde tínhamos a missão de comprarmos um carregador para nossa câmera, pois no dia anterior da viagem descobrimos que tínhamos perdido o nosso. Argh!

Não encontramos o que procurávamos, mas tivemos a oportunidade de sabermos como eram os preços no Uruguai e ficamos assustados! Tudo no preço do Brasil ou muito mais caro. Para vocês terem ideia, uma pet de 2 litros de Pepsi num supermercado custa o equivalente a 5 reais. Uia… Devido a este fator, gastamos com alimentação mais que havíamos planejado, mesmo comendo fast food e fazendo compras no supermercado.

E já que os preços não eram nenhum pouco atrativos, apenas jantamos no shopping, pegamos o ônibus urbano que custa 18 pesos uruguaios e voltamos para o hotel. E por falar em ônibus, são frequentes, limpos e abrangem os principais pontos de interesse da cidade, sem falar no precinho camarada.

Após uma noite com apenas 4 horas de sono e um dia com mais de 4 km de caminhada, não nos restava outra opção a não ser dormir cedo para podermos aproveitar os nossos próximos dias em terras uruguaias.

As impressões desse primeiro dia? Ótimas, lembrando sempre de não se comparar a cidade com as demais capitais da América do Sul. Como diria a Cibeli, nada de pensar nas irmãs ricas ao desbravar Montevidéu. Mais detalhes sobre isso na parte 2, em breve por aqui 🙂

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Arquivado em Montevidéu, Uruguai