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Terceiro dia em Havana

Nossa primeira missão do terceiro dia na capital cubana era encontrar pão para almoçarmos sanduíche de sardinha (tínhamos levado algumas latas). Como a Adriana e o Daniel tinham conseguido comprar em nosso primeiro dia por lá, seguimos as orientações deles e caminhamos na direção da feira. Demos uma passadinha lá e Loedi até encarou comer umas bolinhas de queijo fritas como café da manhã. Enquanto isso, Camila se deliciava com seu milho cozido.

Não encontramos a “padaria”  seguindo as orientações que havíamos recebido e então começamos a pedir informações na rua. Todos que abordamos foram muito solícitos, porém em todos os locais que fomos não havia mais pães. Nessa caminhada encontramos outra feira um pouco mais ajeitada. Lá encontramos mamão cortadinho e melancia (que depois descobrimos que também eram bem sem gosto).

Andamos mais um montão e pedimos ajuda a várias pessoas até conseguirmos encontrar a distribuidora de pães do estado. Estávamos precavidos e levamos uma sacola para carregar, pois lá eles entregam nas mãos mesmo. Estando em Cuba é bem comum você encontrar pessoas levando pães sem nenhuma embalagem.

Na volta, passamos na pracinha para usarmos nosso cartão de internet e nos interarmos um pouco do mundo fora Cuba. Ficamos praticamente dois dias sem conexão. É muito surreal pensarmos e vivenciarmos essa maneira de se conectar em pleno 2018, mas sabemos que alguns anos atrás nem isso era possível por lá. É bem doido também pensar que em meio à tanta escassez e carros antigos, encontramos táxis novinhos importados. Foram essas coisas que ficamos observando sentados em frente ao Hotel Nacional.

E voltando para o apartamento (que ficava nesse prédio da foto) fomos conversando sobre essa nova experiência que vivemos pela manhã. Dei uma espiadinha no escritório da TV Cubana, localizado no térreo do prédio e também mais uma vez tivemos a impressão de termos parado no tempo.

Preparamos nossos sandubas, comemos e logo fomos conhecer mais um pouco do bairro em que estávamos hospedados: Vedado, que é uma das regiões mais conservadas da cidade. Traçamos a rota rumo à Praça da Revolução e fomos caminhando observando mais uma paisagem contrastante. Casas enormes e bem conservadas, com piscinas e quintais, sendo vizinhas de algumas construções no padrão que estávamos acostumados a ver em Havana Vieja.

Quando menos esperávamos, chegamos à uma avenida toda arborizada e conservada, bem bonita para os padrões cubanos. Por alguns instantes esquecemos a escassez e as construções precárias e adoramos curtir aquela vibe até chegarmos ao nosso destino.

Logo chegamos à um dos cartões-postais de Havana: a Praça da Revolução. Apesar da fama, a única coisa interessante para fazer por lá é tirar fotos, hehe. Trata-se de uma visita bem rápida pois só tem os prédios com as representações de Che Guevara e Cienfuegos, dois ícones da história cubana.

De lá, seguimos caminhando (bastante) até a Universidade de Cuba e assim conhecemos um outro pedaço da cidade. Ficamos tranquilamente sentados nas escadas, Camila fez uma amiguinha e ficaram brincando um bom tempo enquanto nós conversávamos. Já era final de tarde e resolvemos voltar andando para o apartamento, com algumas paradas no meio do caminho para alguns lanchinhos e refrescos. E é claro também que demos uma paradinha na praça para usarmos internet.

E assim fechamos nossa estadia em Havana. Foram 3 dias intensos e com muitos sentimentos antagônicos. Ao mesmo tempo em que estava eufórica por estar vivendo aquela experiência tive vontade de vir embora várias vezes. A sensação de ter dinheiro e não ter o que comprar pra comer, por exemplo, é terrível.  A vontade de comer um doce (algo que associo muito às férias) e não encontrar nada também não foi legal. A falta de higiene ficava sempre em minha mente quando íamos comer alguma coisa fora de casa, dentre tantos outros exemplos. O importante é que no final das contas hoje escrevo esses relatos e sinto muito orgulho de ter conhecido esse pedaço peculiar do mundo.

Acredito que 2 dias inteiros sejam suficientes para conhecer bem Havana. Se eu fosse refazer nosso roteiro colocaria menos dias em Havana e mais dias em Varadero, que será tema dos próximos posts.

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Havana Real e Havana para os turistas: mas um dia vivendo as duas realidades

Quem acompanha meus relatos por aqui sabe que quando viajamos com a Camila, temos o hábito de levarmos itens básicos daqui do Brasil (arroz, macarrão, feijão Vapza, etc) e comprar itens perecíveis no local – carne, frango, frutas, legumes. Para Cuba, como mencionei em um post anterior, levamos uma quantidade exagerada de itens já pensando na escassez que encontraríamos, porém imaginávamos que pelo menos alguns itens frescos encontraríamos por lá. No dia anterior, havíamos perguntado para alguns locais onde encontraríamos uma quitanda ou algo do tipo e nos disseram que havia uma feira localizada a duas quadras de nosso prédio.

Após acordarmos fomos direto procurar esse local e quando chegamos vivemos mais uma experiência única de vida. Em minha cabeça havia a seguinte lista de compras: batata, melão, mamão, cenoura, beterraba e cenoura. Ao chegarmos na feira, começamos a perceber que os itens eram os mesmos em quase todas as barracas. Pouquíssima variedade, qualidade e apresentação dos produtos. Até aí, era só uma feira simples como algumas que já vimos Brasil afora. Nosso primeiro choque foi quando perguntamos onde encontraríamos batatas e um senhorzinho nos disse que esse era um produto que há muito tempo não havia na ilha. E cebolas? Também é algo raro de se encontrar. A saga das frutas também foi frustrada. A oferta era de bananas feias e só! Tivemos sorte de encontrar numa barraquinha escondida alguns pedaços de mamão. Para fazermos lanchinhos mais saudáveis para a Camila, acabamos comprando milho.

Na feira também tinha carne e frango, porém tudo exposto ao tempo naquele calor, sem qualquer refrigeração. Havia também um barracão vendendo queijos e embutidos rodeados de moscas e também sem nenhuma geladeira. Vimos uma placa sinalizando venda de ovos, mas quando perguntamos também nos disseram que há 4 dias não haviam recebido a mercadoria. Relembrando agora entendo porque não tirei tantas fotos… o choque foi tão grande que nem lembrei.

Voltamos para deixar as poucas coisas que compramos no apartamento e ao olhar pela primeira vez pela janela  da cozinha e ver o cenário do outro lado fiquei alguns minutos parada só agradecendo por tudo que temos à nossa disposição aqui no Brasil.

Em seguida, caminhamos uma vez mais para o centro de Havana para conhecermos outras atrações da área turística. Logo em frente ao Hotel Nacional, encontramos vários carros coloridos à disposição dos turistas para passeios. Nos contentamos apenas com fotos.

Fizemos uma parada para tomar um sorvete e mais uma vez nos surpreendemos com a beleza dos locais para turistas. Tudo bem arrumadinho, com aparência boa e preços caros: uma bola de sorvete 10 reais.

Dali continuamos nossa caminhada explorando outras partes da Havana real. Nesse segundo dia passando pelo cenário parecido com o de um pós-guerra, já estava cansada de ver tudo aquilo. Por esse caminho que fomos, encontramos vários açougues, nas condições que podem ver nas fotos abaixo. A parte boa: encontramos cebolas e abacaxi, rsrs. Nem tiramos tantas fotos porque queríamos era chegar logo na Havana para os turistas.

Finalmente chegamos à área turística! Dessa vez nos surpreendemos com alguns hoteis super chiques, lojas de grife e outras construções nada condizentes com a realidade do país. Do outro lado da calçada, prédios caindo aos pedaços como a maioria da cidade. Mais um choque pra gente!

Nossa próxima parada foi no Capitólio, que apesar de estar em reforma há anos, é uma construção linda e está ficando com cara de conservada (pelo menos na fachada, rsrs).

Seguindo nosso mapa, bem pertinho dali estaria a Chinatown de Havana. Caminhamos até lá e logo que vimos as condições do local, demos meia volta.  Passamos numa fábrica de charutos, mas não entramos para ver a fabricação. O Daniel entrou apenas na loja e nós ficamos aguardando do lado de fora.

Voltamos para o centro e para minha alegria a Adriana encontrou uma Coca-Cola com menos açúcar!! Estava com abstinência já, hehe. Sentamos um pouco na praça e depois fomos para o Museu da Revolução, mas quando chegamos lá estava fechado. Aproveitamos para ficar batendo papo na pracinha em frente à construção para decidirmos o que faríamos.

Para fecharmos nosso dia, encontramos um restaurante bacana com música ao vivo e por lá ficamos para jantar.  Fomos muito bem atendidos, comemos pizzas e curtimos deliciosos momentos para finalizarmos as atividades.

E assim concluímos nosso dia 2 : vivendo intensamente as diferenças entre a Havana Real e a Havana para os turistas, refletindo sobre o modelo do país e principalmente agradecendo por tudo que temos.

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Havana para os turistas: a parte charmosa da cidade

Após passar algum tempo caminhando em meio ao caos de Havana Vieja, não via a hora de chegar numa parte mais civilizada da cidade e mal pude acreditar quando chegamos na área turística da capital cubana. Brincamos que chegava a hora de passarmos no portal que levava à uma realidade menos feia, porém ficamos chocados com esse contraste em nossa primeira visita àquela parte da cidade.

Por ali, uma grande quantidade de turistas, lojinhas, bares e por alguns instantes esqueci da realidade que havíamos visto antes. Mas ao observarmos a quantidade de mendigos e pessoas deficientes implorando por alguma ajuda, logo voltamos a pensar na realidade dos cubanos. Não posso deixar de mencionar que nessa região da cidade o passeio tornou-se bem mais agradável e foi muito gostoso caminhar ao som das animadas músicas que tocavam nas ruas, observar a arquitetura bem cuidada, as praças e todo o charme desse pedaço turístico bem conservado.  Até tivemos coragem de provar alguns snacks vendidos na rua.

O Paseo del Prado é esse calçadão mais movimentado da cidade e onde o agito acontece. Caminhar é a melhor opção para curtir a vibe do local. Nesse primeiro dia, andamos sem rumo nos perdendo entre as ruelas sempre procurando ficar perto das construções conservadas. É claro que de vez em quando nos deparávamos com os prédios caindo aos pedaços, que apesar de ser em menos quantidade também estão presentes por ali.

A nossa próxima parada foi na bonita Praça da Catedral, onde até encontramos uma barraquinha que vendia Coca-Cola Zero. Pagamos uma fortuna pela garrafinha e até hoje tenho dúvida se o que tinha lá era Coca mesmo, rsrsr. Bem próximo dali fica a famosa Bodeguita del Medio, onde Loedi, Adriana e Daniel foram provar o autêntico Mojito cubano. Eu só fiquei ali fora curtindo o agito do local enquanto a Camila observava as lojas ao redor.

Seguimos caminhando mais um tanto até a bonita Plaza San Francisco, com algumas paradas para fazermos um lanchinho. Eu encarei duas porções de churros e Adriana e Daniel encararam uma disputada pizza de 1 CUC. Era só massa e queijo, mas eles até repetiram. Eu preferi encarar algo frito acreditando que o óleo quente mata as bactérias, rsrsr. Logo depois fomos ao mercado municipal para ver se encontrávamos frutas e verduras para comprar.  Por lá só tinha artesanato e então pegamos um táxi (negociado, é claro) para voltarmos para nosso apartamento.

Após um dia intenso de reflexões e bastante caminhada, nosso programa noturno foi conversarmos sobre tudo que havíamos vivenciado nesse primeiro dia em Havana. Apesar de termos comprado o cartão para acesso à Internet, nesse dia não conseguimos acessar, o que foi mais um motivo para ficarmos por horas nos questionando sobre o sistema do país sem termos o Google para nos ajudar com as respostas. Para o jantar, preparamos  uma feijoada da Vapza e assim continuamos nosso papo na mesa por boas horas antes de nos deitarmos.

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Havana: primeiras impressões

Começamos nosso primeiro dia em Havana olhando pelas janelas e observando as redondezas agora com a luz do dia. Para um lado tínhamos a vista do Hotel Nacional e Malecón, mas também avistávamos construções em mal estado de conservação e desgastadas pelo tempo. Para o outro, as condições eram bem piores e por alguns instantes fiquei olhando, observando e tentando entender a realidade do país. Nos hospedamos em um dos bairros mais bem conservados da cidade e a fotografia era aquela. Fiquei pensando o que veríamos nas próximas horas….

Para o primeiro dia, havíamos trazido pão (bisnaguinha), café, açúcar e adoçante, portanto não precisamos sair pra comprar nada. Usei o fogão mega antigo pra fazer a comidinha da Camila e então estávamos prontos para começar a desbravar Havana. Decidimos seguir caminhando até Havana Vieja (que estava distante 5 km) e assim já conhecer mais a fundo a cidade.

Nossa primeira passada foi no Malecón (a calçada que contorna a orla de Havana com 8 km de extensão) e a fachada do Hotel Nacional. Apesar de ser 25/12, a vida corria normalmente pois o Natal passou a ser feriado poucos anos atrás com uma visita do papa à ilha. O clima não estava tão quente quanto imaginávamos e com isso a caminhada estava bem agradável. Fomos sem pressa, parando em cada lugar que merecia uma foto nas redondezas.

Quando a paisagem tornou-se monótona, resolvemos entrar nas ruas menos movimentadas e aí sim começamos a conhecer a Havana da vida real. Num primeiro momento, pensamos: ah, no Brasil tem vários lugares mal conservados. Ah, aqui parece o centro velho de tal lugar… Até que nossas justificativas internas não serviam mais para nos consolar. Muita precariedade, cheiro ruim, prédios parecendo que iam desabar a qualquer momento. Apartamentos lotados de moradores, comércios com filas enormes de locais, mercadinhos com pouquíssimas variedades e ofertas de produtos. Apesar de tudo, pessoas tranquilas e felizes pelas ruas e um clima de segurança que nunca vivi em regiões com condições similares aqui no Brasil. Confesso que nessas primeiras andanças eu pensei: o que é que vim fazer aqui? Mas bastou mais alguns passos para que eu entendesse o porquê: viver uma incrível experiência de vida!

Outra “atração” no trajeto eram os carros super antigos (uns mais bem cuidados, outros nem tanto), os bicitáxis e cocotáxis, bem como as construções em bom estado de conservação que eram raras nesse pedaço da cidade. Uma conclusão que chegamos é que os prédios que têm alguma participação do dinheiro proveniente do turismo geralmente são melhorzinhos.

Em nosso caminho, encontramos o Callejón de Hamel, uma rua dedicada à cultura afro-cubana com um clima bem turístico. Por ali, conversamos com alguns locais, entendemos um pouco do trabalho deles e aproveitamos para registrar os momentos. Foi um oásis em meio ao caos que estávamos vivenciando.

Até chegarmos à Havana Vieja tivemos mais uns bons minutos vivendo e refletindo sobre a pobreza e escassez. Foram momentos de muitas conversas e dúvidas sobre as condições do povo cubano, sobre o idealismo de Fidel Castro e Che Guevara, sobre prós e contras do socialismo. Dentre todas as viagens que já fizemos, essa com certeza foi a em que mais falamos sobre história e política, pois é impossível ver tudo isso que estávamos vendo e não tentar entender.

Ter feito essa caminhada pela Havana real foi incrível apesar de esteticamente não ter sido nada agradável. Welcome to Cuba, parte 2!

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Chegando em Havana

Para ir à Cuba, é necessário fazer pelo menos uma conexão internacional. As mais comuns, saindo de São Paulo, são via Lima, Bogotá, Miami ou Panamá, que foi nossa escolha pelo menor tempo total de viagem.Voamos para Havana com a Copa Airlines e foi no check-in em São Paulo que compramos nosso visto por R$100,00. O processo é bem simples e o papel deve ser todo preenchido pelo passageiro.  Antes de recebermos nossos cartões de embarque, a atendente conferiu os cartões de vacinação da febre amarela e logo estávamos liberados para seguir ao portão.

O voo até à Cidade do Panamá foi tranquilo e a conexão bem rápida, porém com tempo suficiente para comermos e dar uma esticada nas pernas.  O aeroporto está bem maior e melhor do que conhecemos em 2012, com ampla variedade de lojas e opções de alimentação. Importante lembrar que tudo lá é vendido em dólares e não aceitam euros, que é a moeda com melhor cotação para levar a Cuba.

Como sabíamos que chegaríamos tarde em Havana, aproveitamos para comprar algumas garrafas de água no aeroporto para termos pelo menos o suficiente até o dia seguinte (se tivéssemos noção real da escassez do país, teríamos levado mais coisinhas do aeroporto do Panamá, rsrs). O avião que nos levou até Cuba era bem velho, talvez pra gente já começar a entrar no clima do destino (hehe), mas a viagem foi tranquila e próximo das dez da noite do dia 24/12 pousamos na capital cubana.

O processo da imigração foi o mais rápido em que já passei na vida! Tirando o fato de que não pudemos passar nós três juntos (como ocorre em todos os demais países em que já passamos), correu tudo tranquilamente, não nos fizeram nenhuma pergunta e sequer checaram o visto.  Um fato diferente, é que todas as bagagens de mão dos passageiros são inspecionadas no raio-x antes de seguirem para a retirada das malas. No meio do caminho, mais algumas pessoas sentadas em mesas conferindo as vacinas dos turistas.

Havia lido que o aeroporto era bem velho e com aparência antiga, porém imaginava pior do que realmente é. Algo que chamou a atenção foi a quantidade exagerada de funcionários no aeroporto e a forma de se vestir das mulheres, com meias super trabalhadas. Enquanto esperávamos as malas, fui ao banheiro e mais uma surpresa: vasos sem tampa, pouca limpeza, uma funcionária deitada dormindo sobre a pia e nada de papel higiênico no aeroporto, além de ter dado de cara com um homem em pleno recinto feminino.

As nossas malas chegaram rápido, o que demorou foi a entrega do carrinho que deveria ser retirado em outro local. Antes de sairmos, mais alguns funcionários para fazerem a triagem das bagagens que iriam para inspeção por amostragem. Nós estávamos com bastante receio por estarmos levando grande quantidade de coisas para comer (na foto abaixo dá pra visualizar), mas felizmente não fomos escolhidos. Para quem tem dúvida, é permitido levar alimentos industrializados em viagens internacionais. Nosso receio era o tempo que perderíamos até olharem tudo o que tínhamos em nossas bagagens. Já passamos por isso em Cancún e foi bem demorado todo o processo.

Assim que saímos no hall do aeroporto já encontramos o anfitrião do Airbnb que alugamos, o Sr Henry, que havia organizado nosso transfer. Informamos a ele que iríamos trocar dinheiro, achamos a casa de câmbio e fomos trocar nossos euros por CUCs (moeda para turistas de Cuba) . É possível também trocar dólares, porém há uma cobrança extra de 10% sobre a moeda americana. Com dinheiro em mãos, o seguimos sem saber ao certo como seria o veículo de nosso transporte…

Quando vimos o carro, começamos a disfarçar o riso diante da situação. Era um jipe super antigo, com bancos de madeira atrás. Estávamos com seis malas, o carrinho, nós cinco, o Henry e mais o motorista, rsrsrs. Não conseguia imaginar como caberia tudo, mas no final das contas coube. Fomos espremidos, eu com a Camila dormindo no colo e torcendo para tudo dar certo. O transfer foi nosso verdadeiro “Welcome to Cuba”. A foto ficou horrível, porém não podia deixar de compartilhar aqui.

Fomos observando tudo durante o caminho e nossas primeiras impressões foram positivas. Apesar de ser tarde da noite, havia bastante gente nas ruas e pouco trânsito. Em menos de meia hora chegamos sãos e salvos ao nosso apartamento após essa primeira aventura em terras cubanas.

Estávamos no vigésimo oitavo andar do Edifício Focsa, o segundo prédio mais alto de Havana. O lugar era melhor do que tínhamos visto nas fotos e contava com uma linda vista do Hotel Nacional, um dos cartões-postais da capital. O Henry nos explicou alguns pontos sobre o apê e sobre o funcionamento do Wi-Fi que em todo o país precisa de um cartão da Etecsa para dar acesso à internet. Quando fomos testar, havia alguma pessoa conectada e assim conseguimos acessar rapidamente, o que foi uma super surpresa positiva pra gente. Consegui até postar!

Ajeitamos nossas coisas, tomamos banho e fomos dormir para estarmos bem descansados para nosso primeiro dia na terra do Fidel. Essa viagem foi cheia de aventuras, acompanhem nos próximos posts

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Último dia em Aruba (com direito à perrengue)

Antes de contar como seguiu nossa viagem em Aruba, preciso relatar alguns fatos que antecederam nossa ida para a ilha caribenha. Faltando pouco menos de uma semana para viajarmos, Camila ficou doente e estava se tratando com antibiótico. Tomou a última dose na quinta-feira (dia que passamos em Palm Beach). Alguns dias antes de embarcarmos, eu estava com uma dor de garganta terrível e também entrei no antibiótico, porém não havia sentido melhora nos sintomas nos dias em que estávamos lá. Pelo contrário! Comecei a tossir e espirrar muito, mas achei que era só um resfriado e busquei um xarope numa farmácia local para ver se amenizavam os sintomas.

Durante o dia o xarope ajudava, mas cheguei a ter febre na noite de terça para quarta-feira e como acordei melhor, não quis ir ao médico e perder um dia de praia (erro que jamais cometerei de volta!!!). Nesse meio tempo, o Loedi começou a ficar mal, espirrando bastante, mas também achamos que era só uma crise de rinite mais forte e boa.

Enquanto éramos só nós, estávamos bem tranquilos. Porém, na madrugada de quinta para sexta-feira Camila acordou com alguns delírios e 39,7 de febre. Como assim? Ela não tinha apresentado nenhum sintoma durante a semana, estava medicada e com temperatura alta? Ficamos meio assustados com o acontecimento, mas logo a medicamos e pensamos que seria só um fato isolado e que acordaria melhor. Para nosso desespero, a febre voltou rapidamente e ela começou a tossir sem parar (sempre tem crises e por isso já estava no antibiótico), a ficar muito quieta, só querendo ficar deitada e aí nosso nível de preocupação subiu muito.

Rapidamente acionamos o seguro saúde que foi super eficiente e logo enviou um médico ao nosso apartamento para avaliá-la. O médico veio, disse que o pulmão estava limpo e que parecia ser algo na garganta. Receitou um antiinflamatório, um antialérgico e disse que a febre deveria baixar logo, bem como a tosse parar. Loedi foi até a farmácia, enfrentou toda a burocracia para comprar os medicamentos e assim que chegou já a medicamos. A tosse passou bem rápido (santo remedinho que queria aqui no Brasil!) mas a febre ficou oscilando.

Esse dia foi perdido pois ficamos no apartamento acompanhando a evolução do quadro dela e com a cabeça fervendo pensando sobre nossa longa viagem de volta logo na manhã do dia seguinte. Quando deu uma brecha na febre, demos um pulo em Oranjestad (o centrinho de Aruba) para respirar ares diferentes e ver se ela se animava um pouquinho. Foi um alívio vê-la melhorzinha e sorrindo novamente.

Estava tudo indo bem até que percebemos que a febre tinha voltado, mesmo ainda estando no tempo de efeito do remédio. Chegamos no apartamento e medicamos novamente, mas nada de melhorar. Ligamos para o médico que nos orientou para aumentar a dose da medicação, porém também não adiantou. Imaginem tudo isso acontecendo e nós tendo que arrumar as malas para cedinho encararmos a volta de quase 20 horas. Ficamos pirando se iríamos até Miami (onde faríamos conexão) e lá buscaríamos um hospital, se deveríamos ir pronto-atendimento e ficar em Aruba mesmo, nem que fosse para perder nosso voo e outras várias preocupações em nossas cabeças. E nesse meio tempo nada da febre baixar.

Eis que tive a ideia no meio da madrugada de dar um outro antitérmico que havíamos levado (morrendo de medo da overdose de remédios) e finalmente a febre da Camila baixou. Enquanto isso, Loedi também tinha febre e eu passei a noite em claro preocupada com os dois e com o voo da volta.

Decidimos ir até Miami e dependendo de como a situação estivesse, procuraríamos a cia aérea e veríamos o que poderia ser feito nessa caso que envolvia saúde. Para nossa alegria e alívio, Camila acordou bem e sem febre (ufa!). Loedi ainda estava mal, mas em condições de encarar a espera em Miami e o voo para o Brasil. Dentre os três, eu que estava melhor naquele momento porém podre por não ter dormido.

Chegamos aliviados nos Estados Unidos, mas ainda teríamos que passar o dia lá pois nosso voo para o Brasil era só à noite. Fomos a um restaurante, almoçamos com bastante calma e depois ficamos passeando no aeroporto. Camila capotou no carrinho, não voltou a ter febre e descansou bastante antes de nosso embarque.

Loedi passou muito mal no voo para São Paulo e eu segurei as pontas com a baixinha que se comportou mais uma vez muito bem. Em Guarulhos, eu precisei dormir alguns minutos pois foram duas noites em claro, e o super papai fez as vezes. Mal podíamos acreditar quando finalmente chegamos em casa no dia 31 de dezembro! Que perrengue foi esse!

Hoje é fácil sentar aqui e escrever sobre o que aconteceu, mas foi muito tenso! A sorte é que tudo ocorreu em nosso último dia de férias e não deixamos de ver nenhum lugar por conta disso. O importante é ver os aprendizados que tivemos com esse perrengue e se preparar melhor para possíveis situações semelhantes. Chegamos, fomos ao hospital, nós três entramos no antibiótico e dali alguns dias já estávamos 100%.

Apesar desse final de viagem não ter sido da maneira como imaginávamos, voltar à Aruba foi muito bacana e aproveitamos muito com a companhia da Camila dessa vez. Super recomendo o destino para quem viaja com os pequeninos!

 

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Praias de Aruba com crianças: Eagle e Palm Beach

Continuando nossos dias de sol e mar azul, a próxima praia que visitamos foi a Eagle Beach. Diferente de Arashi e Baby, essa praia tem maior estrutura, com vários comerciantes alugando guarda-sóis e cadeiras no surreal preço de 40 dólares. Como as sombras disponíveis eram bem longe da água, tivemos que encarar a facada para podermos aproveitar melhor o nosso dia.

Eagle Beach:

A praia é mais “povoada” que as que visitamos nos dias anteriores, porém o mar é bem mais agitado e assim não achei muito boa para crianças nesse sentido. Poder contar com sombra e cadeiras nos permitiu ter um dia mais relax, com a Camila se divertindo na areia e na piscininha. O benefício que tivemos fez valer os doloridos dólares que pagamos.

Entre as brincadeiras com o baldinho, piscininha e muita folia na areia, caminhávamos até a vegetação que cerca a praia para vermos os populares lagartos de Aruba. Camila ria um monte ao vê-los e ao escutar o barulhinho característico que fazem.

Nesse dia o clima estava bem maluco. Em menos de 5 minutos chovia e parava de chover, portanto saiba que uma nuvem escura em Aruba nem sempre significa fim de praia. Passamos um dia muito agradável em Eagle Beach, mas esse não é o tipo de praia que mais gostamos.

Palm Beach:

Na primeira vez que fomos para Aruba, achamos Palm Beach o local mais cheio de turistas da ilha e não curtimos muito a vibe de lá. Nessa viagem resolvemos pesquisar um pouco melhor e acabamos descobrindo que há um pedaço da praia que é menos frequentado e foi pra lá que decidimos ir. Essa parte fica próximo ao hotel Divi Aruba Phoenix, em frente à uma delegacia de polícia e quando chegamos tínhamos a praia só pra nós, com direito à uma cabaninha com sombra grátis. Essa Palm Beach nós amamos!

Mesmo no decorrer do dia esse pedaço que escolhemos para ficar não encheu, portanto recomendo muito para quem quer mar calmo e pouca gente. Curtimos muito praia e a tranquilidade de podermos ficar deitados na sombra deixando a Camila brincar sozinha na água.

No final do dia, fomos para o centrinho turístico de Palm Beach jantar e curtir o delicioso clima de lá. Aliás, íamos quase todos os dias aproveitar o final de tarde e comecinho da noite.

Finalizamos assim nosso roteiro de praias em Aruba e a conclusão é que a ilha caribenha é um destino perfeito para viajar com crianças. Nós adoramos revisitar o local agora com a companhia de nossa fofucha.

Descrevendo esses dias aqui no blog, parecia que nossa viagem à Aruba terminaria lindamente! Vendo nossas expressões de alegria nas fotos, mal poderia imaginar o que aconteceria nessa noite 😦  Contarei no próximo post nosso maior perrengue de viagem até então….

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